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    O crime violento de mulheres

    O número de mulheres a cometer crimes violentos tem estado a crescer de forma assustadora em Luanda. A situação ganha contornos alarmantes quando a maior parte das mulheres detidas pela Polícia Nacional possui idades inferiores a 30 anos. A corporação faz a detenção de mulheres que cometem crimes de homicídio voluntário, assaltos, tráfico de droga, roubo e furtos de viaturas.
    Esperança Conceição, 25 anos, está detida numa das unidades prisionais de Luanda por ter morto o marido, com quem vivia há mais de dez anos.
    Da relação resultou o nascimento de duas meninas com sete e quatro anos.  Devido a desentendimentos constantes com o marido, no mês de Dezembro, Esperança abandonou a sua casa na zona da Sonef e foi morar com a sua mãe no município do Cazenga. Este mês, o marido foi a casa da sogra pedir à mulher para retirar os seus pertences que havia deixado em casa. Esperança, na companhia de alguns familiares, foi retirar os seus bens, mas o marido pegou num martelo e começou a partir os electrodomésticos. Essa atitude gerou então discussão entre o casal.
    A mulher pegou num caco e atingiu o marido no pescoço. Foi levado para o hospital mas acabou por morrer. O caco cortou-lhe a carótida. Agora Esperança está na prisão.
    Outro caso de violência é o de Helena Gomes que aos 22 anos foi detida por ter espancado, em companhia do marido, um mecânico até à morte. Ela contou à reportagem do Jornal de Angola que antes foi agredida por duas jovens numa das ruas do bairro quando regressava do mercado.
    Descontente, e na companhia do marido, foi a casa da mãe de uma das jovens no sentido de informar o sucedido, mas, segundo ela, foi muito mal recebida.
    As coisas não ficaram por aí. Um grupo de jovens que consumia bebidas alcoólicas, diante da discussão, agrediu o marido de Helena Gomes, que em respostas também atacou os seus agressores, acabando na morte de um dos jovens.Apesar disso, Helena Gomes alega inocência, pois na altura da morte do jovem, tanto ela como o marido já se tinham retirado do local dos acontecimentos.

    Tentativa de assassinato

    Neidy Barros, 25 anos, está detida por ter tentado assassinar o ex-namorado com uma arma de fogo, adquirida no Cacuaco para se defender dos meliantes. Disse ao Jornal de Angola que durante um ano manteve uma relação amorosa com um jovem que era traficante de drogas. Segundo ela, o seu calvário começou quando o namorado lhe propôs uma viagem ao Brasil em busca drogas que devia ser transportada para Angola, escondida na vagina para não ser apanhada pela polícia.
    Neidy recusou a pretensão do namorado e diante da insistência do parceiro, terminou a relação. Ainda assim, disse Neidy Barros, o ex-namorado não desistiu da proposta, situação que a levou a apresentar duas queixas na esquadra do Hoji ya Henda. Passado algum tempo, explicou Neidy Barros, o traficante foi apanhado em flagrante com cocaína, vindo a ficar detido durante um mês na cadeia da comarca de Luanda. “Ele saiu da cadeia e mesmo assim não desistiu dos seus intentos”, disse, acrescentando que cada vez mais sentia que a sua vida estava nas mãos do ex-namorado devido à insistência para alinhar no negócio.
    Certo dia, o ex-namorado ligou a pedir um encontro entre os dois. Durante a conversa, as coisas descontrolaram-se e Neidy Barros, que havia levado a pistola para se proteger, disparou um tiro contra o ex-companheiro e fugiu.
    Neidy disse que só usava a arma para se defender dos meliantes. Explicou que aprendeu a manejar uma arma de fogo através de filmes de acção que via na televisão. Apenas em duas ocasiões usou a arma. Primeiro, quando foi alvo de um ataque de dois jovens que pretendiam violá-la à saída de uma discoteca. A segunda foi contra o ex-namorado lhe exigia participar no tráfico de droga. Disparou sobre ele.
    A vítima está neste momento a receber tratamento médico: “tenho consciência de que o uso de armas de fogo é crime, mas adquiri-a para me defender dos delinquentes e tinha a intenção de a legalizar junto das autoridades” disse Neidy Barros. ela culpou a polícia pelo sucedido, uma vez ter solicitado ajuda, que segundo ela, não resultou, porque o ex-namorado continuou a persegui-la.

    Assassinato no cemitério

    Humberto António, 25 anos, e Walter Augusto, 23, foram mortos por quatro homens no interior do Cemitério de Camama, depois de se apoderarem da sua viatura. O assassinato ocorreu no mês de Fevereiro e chocou pela violência como foi praticado. Carlos Comprido Sampaio, 19 anos, é apontando como autor dos disparos de que resultou a morte dos dois jovens. Os outros companheiros são Evaristo Mabanza João, Ernesto Domingos Pedro e Fuxi João. A arma do crime foi encontrada escondida na casa da namorada de Fuxi, Mariana Joaquim, 18 anos, mais conhecida por Dama Que Brilha.
    Carlos Comprido Sampaio explicou ao Jornal de Angola que, em companhia dos amigos, foi ao bairro Nova Vida, onde empunhando uma arma AKM, obrigou Humberto António e Walter Augusto a pararem a viatura em que seguiam. Os marginais amarraram os dois jovens, colocando-os no porta-bagagem do carro e dirigiram-se para o Cemitério de Camama por volta das 22 horas.
    Carlos Comprido Sampaio ordenou que os dois jovens saltassem o muro e já no interior do cemitério disparou contra as vítimas, que tiveram morte imediata. Consumado o crime, os meliantes levaram a viatura para casa da namorada de Carlos Comprido Sampaio. No dia seguinte partiram para Malange com a intenção de venderem a viatura por 25 mil dólares. O “gang” tinha em duas mulheres dois elementos muito influentes.
    Na Unidade Operativa de Luanda, cada mulher detida tem a sua história. Mas todas têm um traço comum: autoria ou conivência com crimes violentos.

    Fonte: JA

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