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    Huambo comemora 101 anos de existência com olhos fixos no futuro

    Por: Gabriel Batalha Ulombe/Aurélio Janeiro A cidade do Huambo, capital da província com o mesmo nome, comemorou, sábado (21), 101 anos desde a sua fundação, numa altura em que as autoridades locais estudam mecanismos consentâneos e viáveis para, a médio prazo, fazerem dela um local em que as pessoas possam viver em melhores condições e possam orgulhar-se, resgatando a sua tradicional designação de “cidade vida”.

    Governo aposta na melhoria da imagem do Huambo (ANGOP)
    Governo aposta na melhoria da imagem do Huambo (ANGOP)

    Quis o destino que os 101 anos da cidade fossem comemorados no mesmo ano em que decorreu o processo de auscultação da sociedade civil para o enriquecimento do programa de desenvolvimento da província, que contempla a execução de um conjunto de acções que tornarão a cidade do Huambo mais atractiva e com infra-estruturas que não diferem dos padrões urbanísticos internacionais.

    Trata-se de um projecto de extrema importância que, além de mais, expressa a vontade das autoridades locais em melhorarem a qualidade de vida da população, certos de que gerir e governar não se limita apenas no acto de executar, mas é também prever e conceber acções, facto que motivou a elaboração deste programa provincial de desenvolvimento a médio prazo.

    A cidade vive, desde o dia 1 deste mês, uma agitação total, festa e folia é o ambiente que se nota nas suas principais artérias. Ficou, praticamente, pequena para os milhares de visitantes e turistas que, de diferentes pontos do país, afluíram ao Huambo para participar nas comemorações do 1º ano depois do centenário.

    História

    A cidade do Huambo foi inaugurada pelo então governador-geral de Angola, o general José Mendes Ribeiro Norton de Matos (português), a 21 de Setembro de 1912, na sequência de um despacho administrativo emitido pela portaria nº1040, datado de 08 de Agosto do mesmo ano.

    O nome da urbe se deve ao mítico caçador Wuambo Calunga, oriundo do Kwanza Sul, que habitava na localidade de Muangunja, no município da Caála, 25 quilómetros da cidade. Contrariamente ao que muitas fontes históricas sustentam, não foi este caçador quem fundou a cidade do Huambo, mas, sim, o general José Norton de Matos.

    Logo após a sua fundação, a mesma deu um grande impulso para a vida social e económica, principalmente no ramo do comércio, indústria, agricultura, pecuária e construção de infra-estruturas sociais, cujos efeitos positivos e significativos para o desenvolvimento da província tornaram-na em uma referência nacional em diversos domínios da vida.

    Em 1928, período em que o português Vicente Ferreira foi governador-geral de Angola, a cidade do Huambo, de acordo com a “Carta Orgânica de Angola”, Título I, foi proposta à capital do país, além de a terem atribuído a designação de Nova Lisboa, em homenagem à cidade de Lisboa, capital de Portugal. Vigorou o nome, mas a capitalidade não vingou por razões várias.

    Reza a história que a planta da cidade do Huambo foi feita um ano depois da sua inauguração, em 1913. A política estabelecida por Norton de Matos, enquanto governador-geral de Angola, preconizava o desenvolvimento do interior, enquadrando-se aí a criação da cidade do Huambo.

    Este governante, aliás, não se limitou a criar a cidade, mas também procurou desenvolvê-la ao máximo, com diversas medidas posteriores, como a concessão de terrenos às empresas comerciais, a instalação de uma câmara municipal, construção de escolas, de uma delegação da fazenda e a criação de uma granja agrícola experimental e um posto pecuário de observação e tratamento de gados.

    Davam-se, assim, os primeiros passos importantes para o desenvolvimento daquela que, em poucos anos, se transformaria na segunda cidade de Angola, num centro de formação civil e militar importantíssimo e numa urbe possuidora do segundo parque industrial do país.

    Etapas vividas pela cidade

    Situada na região centro-oeste, no planalto central angolano, a cidade do Huambo pode ser considerada como a que mais cresceu durante o período colonial, depois de Luanda. Daí a intenção, sempre manifestada oficialmente pelos colonizadores portugueses, de promover esta imponente urbe, caracterizada por uma configuração arquitectónica moderna marcada por prédios de grande porte, ruas e avenidas largas e extensas, uma rede comercial invejável e um sistema de ensino à medida das pretensões dos seus habitantes.

    A chegada à cidade, o aeroporto local que, segundo se aventa, será o alternativo ao de Luanda, é o “espelho” a testemunhar os esforços de reconstrução em curso. Contudo, os 101 anos de existência da cidade do Huambo devem ser divididos, para melhor compreensão, em quatro períodos: o 1º vai de 1912 a 1928, o 2º de 1928 a 11 de Novembro de 1975, o 3º de 1975 a 2002 e o último de 2002 até ao presente.

    Os dois primeiros distinguem-se por serem marcados pela ocupação, exploração e humilhação dos nativos, lembrando que a cidade de Nova Lisboa, como era conhecida na era da colonização, estava dividida em cidade propriamente dita, bairros e sanzalas.

    No 3º período, não obstante o conflito armado, o desenvolvimento como tal esteve estagnado, mas a formação de indivíduos no ensino médio e superior era notável, ao passo que o 4º e último período, de 2002 até a presente data, embora seja o mais curto é o maior em termos de realizações, já que a cidade está a conhecer melhorias substanciais em todos os domínios.

    Processo de reconstrução

    A cidade do Huambo, fruto dos passos que estão a ser dados rumo ao progresso e a prosperidade da mesma (desde 2002), está transformada em “terra de recomeço”, resultante do grande volume de investimentos aplicados pelo Executivo e o sector privado, para o reerguer dos escombros.

    Nos espaços públicos da urbe vive-se um ciclo notável de reconstrução, pois tudo o que no passado era “sonho” para a população começa a ser transformado em realidade.

    Nesta fase de “recomeço”, todas as amarguras provocadas pela guerra e o lamento dos habitantes do Huambo foram lançados para fora e a província já se tornou, nos dias que correm, num lugar em que as populações vivem em condições mais dignas e se orgulham dela.

    Para destacar algumas realizações, onde havia ruínas apareceram casas, as artérias destruídas foram reabilitadas e da escuridão despontou luz. Os feitos para o desenvolvimento da cidade permitem, actualmente, restituir-lhe a sua tradicional designação de “Cidade Vida”, como era conhecida até 1991.

    O processo de reconstrução é visível aos olhos de todos, desde residentes, turistas e demais cidadãos que por aqui passam por razões diversas. Em apenas 11 anos de paz, a cidade “renasceu”.

    Além das obras no espaço público, a sua população foi incentivada, com subsídios estatais, a recuperar as habitações.

    Fruto destes investimentos, Huambo já é tido, por muitos que o visitam e que conheceram os danos causados pela guerra, como uma região muito próspera e a que demonstra mais sinas de progresso.

    Os sectores da saúde, educação e obras públicas são os que mais demonstram sinais de crescimento, para gáudio dos citadinos. Em nenhum outro momento da história do Huambo se fez tantos investimentos públicos e privados, simultaneamente, como se assiste desde há algum tempo a esta parte.

    O despertar dos empresários, nacionais e estrangeiros, que vão investindo em diversos ramos para alcançar o desenvolvimento humano e das infra-estruturas, tornaram o Huambo tão importante para o país quanto as demais 17 províncias.

    O que se assiste actualmente nesta região é, efectivamente, uma fase de progresso, envolvendo cidadãos nacionais e expatriados que estão a modificar o antigo “campo de batalha” em cenário de reconstrução, respondendo a directriz do Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, em “transformar Angola num imenso canteiro de obras”.

    A cidade do Huambo possui dois espaços públicos de lazer (o Jardim da Cultura e a Estufa Fria), numa altura em o Governo Provincial mantém aposta na recuperação de 58 jardins públicos, já que a diversão e descontracção dos cidadãos são factores importantes no combate ao stress mental, físico e psicológico.

    Conta actualmente com o funcionamento regular de diversos empreendimentos para fazer ressurgir o seu parque industrial, tal como a circulação do comboio dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) e da Barragem Hidroeléctrica do Gove, cuja capacidade de produção é de 60 megawatts.

    Com certo orgulho, os habitantes desta cidade regozijam-se por serem reconhecidos como hospitaleiros, trabalhadores, humildes e dedicados. É, em suma, essa mesma gente que, com olhos postos no futuro, prevê de forma radiante as suas aspirações de progresso social e económico.

    O que mais dizer da cidade do Huambo? Uma cidade que além de fazer parte da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesas (UCCLA), concorre para “Cidade Capital Ecológica de Angola”.

    É capital de uma província com pouco mais de dois milhões de 700 mil habitantes, distribuídos por 11 municípios, cada um deles com um peso específico e determinante no desenvolvimento multifacético da região, cujas características laborais estão mais inclinadas para a agro-indústria. (portalangop.co.ao)

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