Quinta-feira, Fevereiro 22, 2024
16.9 C
Lisboa
More

    Henry Kissinger, secretário de Estado que personificou a crise da década de 1970 e a Guerra Fria nos bons e nos maus momentos, morreu.

    Henry Kissinger ex-chefe da diplomacia dos Estados Unidos e um dos maiores protagonistas da crise da década de 1970 e da guerra fria, morreu hoje aos 100 anos.

    Henry Kissinger tinha uma grande visão estratégica e conduzia a política como um mestre de xadrez, estando pronto para sacrificar peões para proteger o rei.

    Nos livros de História, Kissinger será lembrado como o obreiro do estabelecimento de relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a China e do descongelamento do diálogo com a União Soviética.

    A sua visão estratégica estava enraizada na sua doutrina realpolitik, segundo a qual a diplomacia e a força deveriam ser usadas para alcançar equilíbrios de poder. Ele não gostava muito do idealismo na formulação da política externa, e o seu discurso estava pouco pontuado por questões de democracia, estado de direito e direitos humanos.

    Para concretizar a sua visão estratégica, Kissinger nunca se preocupou muito em sacrificar peões, ou seja, países pequenos. A guerra fria nunca foi fria, porque as armas vibraram no Vietname, no Camboja, em Angola, em Moçambique e noutros países peões. Vários golpes de Estado, sobretudo na América Latina, destruíram os germes de democracias nascentes. Hoje, África ainda está a sarar as feridas do turbulento processo de descolonização, que teve como pano de fundo a Guerra Fria.

    Sejamos honestos, Kissinger nunca foi um grande amigo de Angola. Foi Kissinger quem decidiu que Angola não deveria ser reconhecida pelos Estados Unidos, situação que perdurou até 1993, quando Bill Clinton decidiu estabelecer relações diplomáticas com Angola. Mais tarde, Kissinger também compartilhou a opinião de Margareth Thatcher e Ronald Reagan de que Nelson Mandela era um terrorista e que era preciso ter cuidado ao lidar com ele.

    Em muitos aspectos, Kissinger era um maquiavélico. Tal como Maquiavel, Kissinger tinha uma visão pessimista da natureza humana, alimentada por conflitos e atrocidades que permeiam profundamente a história. Para Kissinger, o papel dos políticos não era liderar o mundo ao longo de um caminho pré-ordenado para a justiça e democracia universal, mas sim opor poder contra poder para controlar as diversas agressões dos seres humanos e tentar, da melhor forma possível, evitar o desastre.

    Infelizmente é esta visão arrepiante da natureza humana que parece estar a surgir de novo pelo mundo.

    Repouse em Paz.

    José Correia Nunes
    Diretor Executivo Portal de Angola

    Publicidade

    spot_img

    POSTAR COMENTÁRIO

    Por favor digite seu comentário!
    Por favor, digite seu nome aqui

    Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

    - Publicidade -spot_img

    ÚLTIMAS NOTÍCIAS

    PR admite estagnação na cooperação com República Checa

    O Chefe de Estado angolano, João Lourenço, afirmou, esta quarta-feira, em Praga, que o potencial do desenvolvimento das relações...

    Artigos Relacionados

    Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
    • https://spaudio.servers.pt/8004/stream
    • Radio Calema
    • Radio Calema