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    Habitantes do Mussulo pagam caro pela travessia

    Nem tudo é um mar de rosa para os habitantes do Mussulo. O fornecimento de água potável e energia eléctrica é problemático. As escolas e centros médicos precisam de obras. Falta embarcações para a travessia desde a ilha para Luanda. Mas o problema que mais preocupa as autoridades é o saneamento básico e particularmente a recolha de resíduos sólidos.
    Os sectores da Saúde e da educação na ilha do Mussulo precisam de uma atenção especial das autoridades. Os edifícios apresentam uma imagem desoladora: há fissuras nas paredes e os tectos estão esburacados. Escolas e postos médicos precisam de uma intervenção urgente para o bem da comunidade.
    No Mussulo, a assistência é assegurada por 32 enfermeiros que funcionam em três postos médicos: Papá Adão, Emílio Nkai e Zanga. Mas nenhum tem médico. Albertina Nanguende Tchissoca, chefe adjunta do Centro de Saúde do Mussulo, disse que apesar da falta de médicos, a unidade sanitária funciona normalmente. Às segundas e sextas-feiras são os dias que o centro de saúde do Mussulo regista maior fluxo de pacientes. “Os doentes mais graves são encaminhados para o Centro de Saúde da Samba e este por sua vez faz a transferência dos doentes para os hospitais de Luanda.
    Albertina Tchissoca precisou que o fornecimento de energia eléctrica ao centro é garantido por um gerador. Mas lamentou a falta de água potável. Questionada sobre os métodos usados para transferência dos doentes, Albertina Tchissoca disse que é feita em embarcações. Acrescentou que se os familiares dos doentes tiverem meios próprios podem ajudar, “mas nos últimos tempos contamos com a colaboração do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros”.
    Albertina Tchissoca explicou que o Centro de Saúde do Mussulo realiza por dia três partos. Ela é a parteira e lamentou o facto de muitas parturientes preferirem dar à luz em casa em detrimento da sala de partos, onde apesar da falta de médicos especializados é sempre mais seguro. As parteiras tradicionais auxiliam nos trabalhos.
    “Nós temos no Mussulo 15 parteiras tradicionais”, disse a responsável do centro de saúde, que reconheceu o empenho das mulheres no programa de planeamento familiar.
    Maria Teresa da Conceição, directora da Escola primaria nº 1011, disse ao Jornal de Angola, que no ano de lectivo 2011 foram matriculados 610 alunos e concluíram com êxito 570 alunos.

    A escola registou pouca desistência de alunos devido ao empenho dos professores que fizeram um grande sacrifício para concluírem o ano lectivo, disse a directora da escola. Os professores residem muito longe do Mussulo: “temos professores que vivem em Viana ou no Ramiro e têm problemas para chegar a horas às aulas”. Sublinhou que para o próximo ano lectivo a escola vai matricular mais alunos porque abre três turnos.
    Teresa Conceição reconheceu que a ilha do Mussulo precisa de mais escolas para absorver todas as crianças que ainda estão fora do sistema de ensino.
    Os alunos do Mussulo, quando concluem a sexta classe têm de ir diariamente para Luanda a fim de darem continuidade aos estudos.
    Teresa Maria da Conceição realçou que no Mussulo não há nenhuma escola do primeiro ciclo que possa absorver os alunos que terminam o ensino primário. Por isso, quem não tem possibilidades de ir todos os dias para Luanda, deixa de estudar.

    Travessia é cara

    A travessia para o Mussulo é feita em pequenas embarcações que cobram 400 ou 500 kwanzas por viagem, que demora entre 11 a 25 minutos. Os habitantes e funcionários públicos do Mussulo enfrentam inúmeros problemas para se deslocarem porque os preços praticados pelos marinheiros são demasiado elevados. A travessia de ida e volta custa por passageiro o mínimo de 800 Kwanzas.
    Fase às dificuldades, muitos funcionários chegam tarde ou faltam ao trabalho. Mas além dos preços incomportáveis para quem tem salários modestos, há igualmente uma grande carência de embarcações para a travessia.

    Combate ao lixo

    Durante a quadra do Natal muitos luandenses decidiram passar as festas no Mussulo e por isso foram produzidas toneladas de lixo. A Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (Elisal) destacou 46 trabalhadores para recolherem todo o lixo até ao fim do mês de Janeiro. João Barros, responsável da Elisal no Mussulo, disse ao Jornal de Angola, que este ano foram produzidos grandes volumes de lixo. Por isso foi necessário reforçar os meios técnicos e humanos para fazer fase à recolha dos resíduos sólidos porta a porta.
    João Barros disse que todos os dias a Elisal realiza nove a 12 carregamentos de lixo via marítima. Mas louvou o comportamento cívico demonstrado pela população da ilha e pelos turistas durante a quadra festiva, que cumpriram o horário da deposição do lixo.
    “Conforme as pessoas iam chegando ao Mussulo nós entregávamos os sacos para colocarem lá dentro os resíduos sólidos e isso facilitou o nosso trabalho”, disse João Barros, que sublinhou que neste momento a prioridade da recolha de lixo é nas praias: “demos prioridade à limpeza das praias poraquê estamos em plena época balnear e assim os turistas encontram tudo limpo”.
    Logo que terminar o trabalho de limpeza nas praias a actividade da Elisal passa para o interior dos bairros. A falta de revendedores de materiais de construção faz com que os preços sofram aumentos substanciais no mercado informal do Mussulo.
    Um saco de cimento que custa mil kwanzas, na ilha pode custar entre três e quatro mil kwanzas.  Priscila Cristina Henriques José, 21 anos e mãe de duas filhas disse que a falta de energia e espaços de lazer impedem os habitantes do Mussulo de ver televisão e ir a recintos de diversão nocturna.
    Como resultado da falta de espaços para ocupação dos tempos livres as jovens são mães muito cedo: “não temos energia nem divertimentos a única coisa que podemos fazer é ter filhos e é isso que estamos a fazer”, disse Priscila Cristina.
    Rosária Elisa Mateus, uma jovem de 17 anos, disse que todos os dias nas pessoas dormem cedo por falta de energia eléctrica. “Aqui a partir das 19 horas as pessoas vão para casa sem saber o que fazer”, disse. Em tempos houve uma discoteca onde a juventude ia divertir-se mas um grupo de vândalos agrediu o proprietário e a discoteca nunca mais abriu. Agora no Mussulo só mesmo praia e dormir cedo.

    Fonte: Jornal de Angola
    Fotografia: Dombele Bernardo

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