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    GPL desembolsa 15 milhões de dólares todos os meses para recolha do lixo

    O lixo como negócio em Luanda está claramente situado na faixa do melhor entre o melhor do filet mignon avidamente disputado no território.

    Todos os meses, para que a cidade mantenha os actuais níveis de limpeza – muito melhorados se comparados aos de há apenas alguns poucos anos – o erário público desembolsa a choruda quantia de quinze (15) milhões de dólares. Esse valor é gerido pela ELISAL, que é a prestadora do serviço de recolha de resíduos ao Estado e que, por sua vez, tem subcontratado o trabalho de vários operadores.

    O lixo como factor de aferição da gestão do poder político é indiscutivelmente um dos principais focos de problemas. Mais do que em qual quer outra urbe do país, em Luanda a questão da limpeza e saneamento básico, sempre muito associados, tem estatuto de matéria de primeira prioridade, por todas as razões. A cidade teve um crescimento desregrado por conta da guerra, os serviços municipalizados (como água, electricidade e outros ligados à gestão quotidiana) não tiveram estofo para acompanhar o rápido e desordenado sobrepovoamento da urbe e, durante anos, chegou mesmo a imperar uma quase impotência assumida perante a dificuldade de se manter a cidade limpa. Vários governadores tiveram a carreira encurtada porque perderam, nitidamente, a batalha contra o lixo.

    Nos últimos anos, aconteceu uma inflexão notada por todos, com uma melhoria generalizada do saneamento. Ao mesmo tempo que ruas, avenidas, largos, parques, passeios e outros espaços públicos foram sendo recuperados, Luanda ganhou vida nova com o cerco ao lixo que foi simultaneamente montado, não se podendo dizer hoje que a recolha de resíduos sólidos constitua a principal dor de cabeça dos luandenses. Ao lado das intermitências da luz eléctrica e da água, o lixo tornou-se na verdade um mal menor. No presente, mais do que tudo, do que se fala, em relação à matéria, é da optimização do serviço, e não já dos tempos críticos em que caminhar pela cidade se havia convertido num confronto à priori perdido contra os maus odores e a imundice.

    Fonte: Jornal OPÁIS

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