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    Geradores matam mensalmente mais de 20 pessoas

    Geradores matam mensalmente mais de 20 pessoas

    O porta-voz do Corpo Nacional dos Bombeiros, Faustino Camões, revelou, Quarta-feira, 7, a O PAÍS que, de Janeiro a Setembro, a sua instituição registou 218 mortes, derivadas da má utilização dos geradores domésticos, o que perfaz uma média mensal de 24 vidas perdidas.

    Faustino Camões preferiu não avançar dados dos meses de Outubro e Novembro, devido ao critério de estatística trimestral a por que o corpo de bombeiros opta, a fim de prestar uma informação mais completa, mas reconheceu que há tendência para haver mais incidentes do género no final de cada ano, devido à grande necessidade que as pessoas têm de assegurar a energia em suas residências.

    Quanto às verdadeiras causas que estão na base dos incêndios provocados por geradores, o porta-voz apontou a falta de responsabilidade por parte de seus utilizadores, tendo começado por sublinhar a natureza desses aparelhos.

    “Em primeiro lugar, é necessário respeitar o facto de estes geradores constituírem apenas uma fonte alternativa de energia eléctrica e não de funcionamento contínuo”, salientou, apontando para algumas constatações feitas por si e por colegas da sua corporação, que registam o funcionamento destes meios durante um período que varia entre 12 e 23 horas por dia.

    O reabastecimento de combustível com o motor a trabalhar, com a agravante recorrência a meios que produzem chamas, como isqueiro, vela e fósforo, para além do telemóvel foram igualmente citados pelo entrevistado deste jornal como causadores de incêndio nos geradores.

    “Apesar de se pensar que a iluminação do telemóvel é uma forma segura para se evitar qualquer incidente diante de um gerador, devese saber que este aparelho, quando ligado, liberta raios magnéticos, que constituem, por si só, uma grande influência para qualquer gravidade.

    Outra situação que preocupa o Corpo Nacional dos Bombeiros tem a ver com a constante tendência de responsabilização dos menores de idade por parte de seus pais ou superiores para se encarregarem do funcionamento e da manutenção dos motores, uma atitude que Faustino Camões desaconselha.

    Não é aconselhável mandar as crianças cuidarem de ligar, desligar, reabastecer ou arranjar estes meios, porque elas são inocentes e chegam a utilizar qualquer meio que lhes possibilite atingir rapidamente os seus objectivos, não se importando se se trata de elementos perigosos.

    Nas contas dos aparelhos incendiados que constaram do registo dos bombeiros, a maior parte tem como combustível a gasolina e o conhecido óleo 30, em detrimento do gasóleo e do óleo 40, dos quais quase nem chegam 20 incêndios durante o ano todo. Questionado sobre se a estatística apresentada deriva de registos constatados a nível nacional, o porta-voz admitiu que os serviços do Corpo Nacional dos bombeiros ainda não cobrem todo país, mas a sua corporação está consciente de que acontecem outros acidentes do género noutras localidades de Angola, onde os seus efectivos não conseguem chegar, por falta de meios apropriados para intervir em situações de tal natureza.

    “Mas é preciso observar que, muitas vezes, somos solicitados depois de o incidente já ter provocado perdas materiais e humanas”, ressaltou o porta-voz, não escondendo a sua insatisfação, fruto da atitude aventureira dos populares que, ao tentarem apagar o fogo, aumentam ainda mais as proporções das chamas.

    Por causa disso, a sua equipa tem levado a cabo alguns programas de sensibilização e mobilização das populações no que toca às correctas medidas de uso e manuseamento dos geradores, assim como tem recomendado a prévia comunicação aos órgãos competentes no caso de se originar um incêndio de pequena, média ou grande proporção.

     

    EDEL minimizaria

    Em 2012, Faustino Camões gostaria de ver diminuídas de forma considerável as perdas de vida derivadas de geradores. Para tal aponta a redistribuição normal da energia eléctrica por parte da Empresa de Distribuição de Energia de Luanda (EDEL).

    “Se a população tivesse a chamada energia da rede geral, pelo menos a 85 por cento, ainda que de forma indirecta ou despropositada poderia evitar estes incidentes que ceifam vidas”, considerou, lembrando que os curto-circuitos e a electrocussão não estão à margem dos graves acontecimentos.

    De acordo com o homem dos bombeiros, a necessidade diária da luz, principalmente para os residentes dos bairros novos da zona sul de Luanda, aumenta a tendência de pôr um gerador a funcionar durante muito tempo, porque senão bastariam os conselhos que a sua corporação dá aos cidadãos.

    Vale lembrar que, em muitos dos bairros referenciados, os populares ainda não beneficiam dos serviços da EDEL, como são os casos do Mundial, Bita tanque e Ramiro, na comuna do Benfica, município da Samba, só para citar alguns.

    Alberto Bambi
    Fonte: O país
    Foto: O País

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