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    Galp Energia lidera lista de compras

    O programa de privatizações em curso em Portugal oferece uma “rica colheita” para as empresas angolanas interessadas em aquisições, estando a Galp Energia no topo da “lista de compras”, afirma a Economist Intelligence Unit (EIU).

    A captação de investimento angolano foi um assunto prioritário na visita a Luanda do primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, numa altura em que Portugal enfrenta uma crise financeira e económica e aplica o pacote de medidas negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia em troca de uma linha de crédito.

    “Dada a rápida subida do poder de compra de Angola, crescente estatuto na comunidade de língua portuguesa e laços económicos já próximos com Portugal, não é de todo surpreendente que o actual governo português esteja a tentar fortalecer os laços de comércio e investimento com Angola”, refere a EIU no seu mais recente relatório sobre a economia angolana.

    O investimento bilateral tem sido intenso nos últimos anos, com as empresas portuguesas a terem uma posição dominante no sector financeiro, em bancos como o Fomento, Millennium Angola ou Espírito Santo Angola.

    Mas ao mesmo tempo, aponta a EIU, empresas angolanas ligadas na sua maior parte ao Estado, e principalmente a petrolífera Sonangol, têm estado continuamente a aumentar a sua posição em empresas portuguesas. Em 2010, quatro por cento das empresas cotadas na bolsa portuguesa eram detidas por capitais angolanos, com um valor conjunto de 2,2 mil milhões de euros (2,9 mil milhões de dólares norte-americanos), de acordo com a mesma fonte.

    “Impulsionados pelas actuais baixas valorizações das empresas portuguesas, estes investimentos estão em vias de crescer”, sublinham os economistas da EIU. O banco angolano BIC concluiu recentemente a compra do português BPN e tem havido relatos na imprensa de outras potenciais aquisições de bancos portugueses por investidores angolanos.

    Fora do sector financeiro, há capitais angolanos interessados na privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, os maiores do país, segundo admitiu durante a visita a Luanda o primeiro-ministro português. Recentemente, a produtora de cinema Tobis Portuguesa foi adquirida por investidores angolanos pela soma de 7 milhões de euros ao Estado português.

    Para 2012 está marcada a privatização de um canal público de televisão e a imprensa portuguesa tem também dado conta de movimentações de investidores angolanos a seguirem de perto o processo. A EIU sublinha que as melhores oportunidades para os investidores angolanos “podem estar fora do sector financeiro, por exemplo na energia e restantes utilities”.

    “As privatizações vindouras de algumas das maiores empresas semi-estatais de Portugal podem assegurar uma rica colheita, com a Galp Energia provavelmente no topo da lista”, refere a EIU. Juntamente com investidores privados angolanos, a Sonangol já é um dos principais accionistas da Galp Energia, ao lado da italiana Eni.

    Segundo a EIU, a crise em Portugal está também a ser seguida com preocupação em Luanda, sobretudo devido à exposição das filiais angolanas de bancos portugueses e “há de facto motivos legítimos de preocupação”.

    “Com as empresas-mãe sob pressão de reguladores para aumentarem os rácios de capital, há um risco de que a desalavancagem se espalhe às subsidiárias no estrangeiro e afecte mesmo operações rentáveis como as de Angola”, refere o relatório.

    Na imprensa portuguesa tem sido veiculado que o Governo angolano admite mesmo assumir o controlo maioritário dos três bancos portugueses, sublinha a EIU, “se as interferências das entidades de regulação se tornarem um problema”.

    “Uma vez que os investidores locais já têm posições de monta no BESA, BFA e Millennium, seria necessária apenas uma pequena mudança de posições accionistas para que o controlo passasse de portugueses para angolanos”, adianta.

    Fonte: Lusa

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