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    França: Jean-Luc Mélenchon quer salvar Portugal e a UE

    Candidato à esquerda de François Hollande nas presidenciais, Jean-Luc Mélenchon é a surpresa da campanha eleitoral. Garante que a França e a Europa estão em mudança e o entusiasmo que o rodeia lembra a revolução de abril, em Portugal.

    Tem um inegável carisma, anda sempre de gravata vermelha e, nos grandes comícios, põe frequentemente um cravo vermelho na lapela, lembrando a revolução de abril de 1974, em Portugal.
    Mas não é apenas o cravo que, nas suas reuniões, evoca o 25 de abril português. O discurso de Jean-Luc Mélenchon (60 anos, dissidente do Partido Socialista) e o ambiente que o rodeia em permanência também podem transportar um português para momentos do Portugal revolucionário de há 38 anos.

    “Revolução cidadã”

    Grande tribuno, apela a uma “revolução cidadã” e vai ser, certamente, um esteio importante do favorito, François Hollande, na segunda volta das presidenciais. “Claro que na segunda volta vamos votar contra Nicolas Sarkozy, é preciso correr com ele e ele já perdeu!”, diz ao Expresso.

    É um político “à antiga”. Candidato pela “Frente de Esquerda”, que reúne socialistas dissidentes e comunistas, faz discursos mobilizadores de belo efeito, sempre com citações literárias, filosóficas e referências às grandes revoluções da História. O 25 de abril faz parte das suas “belas recordações”, afirma.

    Cotado com 15% das intenções de voto, será o acontecimento inesperado da primeira volta das eleições, no próximo domingo. Arrancou com apenas 5%, mas os seus comícios são, hoje, os mais animados de todos os da campanha – em conjunto, reuniu recentemente, em Paris, Toulouse e Marselha, trezentos mil entusiasmados apoiantes.

    BCE sob controlo democrático

    Mélenchon defende a integração mais harmoniosa possível, em França, dos imigrantes – “de todos, dos europeus aos outros, aos que vêm de todos os continentes”, diz -, bem como a regularização dos estrangeiros clandestinos.

    Quer revolucionar a Europa. Proclama-se como o candidato contra os mercados e defende uma “revolução anti-liberal” na União Europeia. Propõe o fim do Tratado de Lisboa e do Pacto que fixa aos Estados da UE objetivos de equilíbrio orçamental.

    Para acabar com a crise das dívidas soberanas e relançar o crescimento, defende a criação de um “Fundo de desenvolvimento social, ecológico e solidário”. “Este fundo deve repartir os financiamentos com taxas de juro muito baixas, ou sem juros, entre os países membros do Euro na medida das suas necessidades”.

    Além disso, defende que o Banco Central Europeu passe a estar “sob controlo democrático”. Pretende que o BCE empreste dinheiro com juros baixos, ou mesmo sem juros, diretamente aos Estados e não aos bancos. “Porque emprestar dinheiro aos bancos não tem sentido, eles ganham muito dinheiro com isso porque recebem a juros baixíssimos e emprestam a seguir aos Estados com juros mais altos!”, exclama.

    Renegociação das dividas soberanas

    Sobre a crise das dividas soberanas defende uma nova negociação para os países em dificuldades. “A negociação deve incluir um reescalonamento dos reembolsos, a baixa das taxas de juro e a anulação parcial da divida dos Estados”. “Só assim salvaremos a Europa”, explica.

    Para Mélenchon, a França terá, com ele, condições para impor as mudanças que preconiza para a UE. “Somos um grande país, os outros Estados têm de nos ouvir, a tecnocracia europeia tem de acabar, bem como a submissão ao ultraliberalismo e ao monetarismo”, conclui.

    Mélenchon aguarda uma forte votação neste domingo. Esperançado com a “vaga vermelha” que tem ilustrado a sua campanha, espera que a Frente de Esquerda fique em condições de influenciar a política do próximo Governo francês.

    Fonte: Expresso

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