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    “Forças invisíveis têm levado Presidente João Lourenço a tomar decisões incoerentes” – Marcolino Moco

    O antigo Primeiro-Ministro de Angola, Marcolino Moco, considera haver forças ocultas que têm levado o Presidente João Lourenço a tomar decisões incoerentes ao contrário do seu antecessor o ex-Presidente José Eduardo dos Santos que era mais cuidadoso na tomada de decisões.

    Por: Diniz Kapapelo

    Em entrevista à emissora Católica de Angola, o antigo Secretário-Geral do MPLA, Marcolino Moco tem havido forças ocultas que têm empurrado o Presidente da República, João Lourenço a tomar decisões incoerentes à semelhança do ex-Presidente José Eduardo dos Santos que, na sua opinião, era mais cuidadoso na hora de tomar decisões.

    “Tomam-se decisões que não têm coerência alguma. Portanto, dá a impressão que tanto o Presidente José Eduardo dos Santos, acho que esse era um pouco mais cuidadoso, como agora o Presidente João Lourenço, tem estado a ser desviado por alguma força invisível dos bons hábitos para os maus actos sem necessidade. Direi mesmo, na maior parte dos casos, eu vejo atitudes e acções que não fazem sentido nenhum”, apontou.

    Marcolino Moco, antigo Primeiro-Ministro de Angola, no tempo do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, apontou alguns exemplos das acções que, em seu entender, não fazem sentido algum.

    “Aí voltamos aquela questão de correr com as zungueiras, logo no princípio do mandato, para o que era aquilo?”, questiona-se o político, para depois dizer que não é altura para se fazer isso na medida em que o actual executivo liderado pelo Presidente João Lourenço não ter criado emprego para essa franja da sociedade angolana.

    “Se você ainda não organizou o comércio, se as pessoas têm fome, será que não se estudou isso?”, volta a questionar o antigo primeiro-ministro angolano.

    Marcolino Moco recordou ainda a exoneração do juiz Presidente do Tribunal Constitucional garantindo que aquele acto não decorrer a seu pedido como se fez crer naquela altura.

    “O Presidente João Lourenço exonera o Dr. Aragão e ainda tem aquela mentira que ele foi quem pediu, mas é uma mentira, não pediu nada, e depois nomeia uma senhora do Bureau Político do seu partido. Quer dizer, é ostensivo, é feio e é mau porque você já tem os problemas da televisão, tem o problema da CNE e ainda os problemas dos tribunais”, acusou.

    Ao reagir os pronunciamentos do antigo Secretário-Geral do MPLA, o Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do partido no poder, João Pinto, acusou Marcolino Moco de estar a ter atitudes deploráveis garantindo que os dados do Presidente João Lourenço são positivos.

    “O Presidente João Lourenço vive uma pressão social, vive uma situação de transição e de mudança de choque. Aliás, ele fez uma revolução social e merece respeito, mesmo que algumas posições possam parecer radicais ou até nos seus pronunciamentos, mas os dados do Presidente João Lourenço são positivos”, notou o deputado, que retira dessa positividade, os dados da crise económica que Angola vive e que agora se vai recuperando.

    Em relação as governações do ex-Presidente José Eduardo dos Santos e do actual Presidente o político estabelece diferenças que, na sua opinião são normais.

    “O Presidente José Eduardo dos Santos era uma figura muito diplomática e de consenso e, em muitas situações, não gostava de pressões. O Presidente João Lourenço está mais preparado para pressão. Primeiro, pela sua personalidade própria, porque é uma pessoa muito persistente, frontal, directa e, algumas vezes, com os seus embaraços. Mas deve-se dizer que, em cada momento da história, se estamos num momento de corrigir o que está bem e melhorar o que está mal, o nosso desafio neste mandato foi de moralizar a sociedade porque ninguém deve estar acima da lei, era preciso alguém do seu perfil”, reconheceu.

    Para o político do MPLA, o perfil do ex-Presidente José Eduardo dos Santos foi de um líder de conciliação, de transição e de reconciliação pós conflito “e fez o seu papel muito bem e devemos reconhecer isso”, sustentou.

    Bastante crítico ao seu próprio partido, Marcolino Moco acredita que o MPLA não tem possibilidades de ganhar as eleições gerais sem uma “fraude escandalosa”.

    Marcolino José Carlos Moco foi primeiro-ministro de Angola de 2 de Dezembro de 1992 a 3 de Junho de 1996 e secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa de 1996 ao ano 2000.

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