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    FMI avisa que demasiada austeridade pode ameaçar a retoma

    Estudos do FMI mostram que, no actual contexto, o ajustamento orçamental pode ter um impacto negativo nas economias. Instituição pede política de redução do défice menos agressiva.

    O Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba de divulgar o seu novo relatório Fiscal Monitor, onde avalia os progressos dos vários países mundiais em matéria orçamental. E chega à conclusão de que a consolidação orçamental, que, à partida, tem sempre um impacto no crescimento de curto prazo, pode ser ainda mais prejudicial no actual contexto económico.

    A instituição realizou um novo estudo sobre a dimensão dos multiplicadores orçamentais em períodos de fraca actividade económica. Os multiplicadores orçamentais são um conceito económico que define o rácio entre uma variação do Produto Interno Bruto (PIB) de um país e uma variação dos gastos públicos que está na origem daquela variação do PIB.

    Com base neste estudo, o FMI revela que, neste momento, os multiplicadores orçamentais parecem estar acima dos níveis médios identificados em estudos anteriores. Ou seja, o impacto que as medidas de austeridade está a ter sobre a economia é maior do que o previsto.

    O FMI conclui, por isso, que uma consolidação orçamental implementada gradualmente tem um impacto negativo mais pequeno sobre o crescimento do que uma redução do défice feita de uma só assentada. “Isto sugere que, quando tal for viável, uma consolidação orçamental mais gradual será provavelmente preferível a uma abordagem que tem por objectivo fazer tudo rapidamente”, avisa o fundo.

    De acordo com o relatório, o efeito é tanto mais negativo se uma economia tiver iniciado a consolidação orçamental com a economia já em terreno negativo ou em forte abrandamento. Além disso, as simulações conduzidas pelo FMI mostram que, quando os multiplicadores orçamentais são elevados e os níveis iniciais de dívida pública são grandes, o ajustamento orçamental pode afectar os rácios da dívida e pode mesmo revelar-se contraproducente no curto prazo.

    Estas conclusões levam a instituição a defender que os países com margem de manobra orçamental devem diminuir a velocidade do seu ajustamento de curto prazo e focar-se em políticas de médio prazo para garantir a sustentabilidade das finanças públicas. É o caso da Alemanha.

    Além disso, o FMI defende, sem referir nomes, que “várias outras economias da zona euro devem deixar permitir que os estabilizadores automáticos actuem livremente”. Ou seja, não devem reduzir o défice a todo o custo, sob pena de enfraquecer ainda mais a actividade económica e, inclusive, exacerbar os receios dos mercados face às perspectivas de crescimento.

    Fonte: Público

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