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    Extrema-direita europeia na defensiva

    Diversos partidos da extrema-direita europeia demarcaram-se esta semana dos atentados na Noruega, apesar de diversos especialistas considerarem que os temas que privilegiam possam fomentar comportamentos anti-sociais e violentos.
    Do Partido do Progresso (FrP) norueguês – ao qual chegou a pertencer Anders Behring Breivig, o suspeito da morte de 76 pessoas nos ataques de sexta-feira passada – à Frente Nacional (FN) francesa de Marine Le Pen e ao Partido pela Liberdade (PVV) holandês de Geert Wilders, todos optaram por se distanciar de um homem que definiram como “doente” ou “psicopata”.
    Mas o seu discurso hostil aos muçulmanos esteve no centro das críticas de diversos políticos de esquerda, refere a agência francesa AFP.
    Em Espanha, o chefe do governo socialista, José Luis Zapatero, apelou a uma “resposta política” concreta da União Europeia (UE) para “combater o radicalismo” e “reagir face à xenofobia”.
    Em França, o Mrap (ONG anti-racista) e diversos dirigentes socialistas estabeleceram uma ligação mais ou menos directa entre os programas dos partidos da extrema-direita, em plena progressão eleitoral, e os actos do norueguês Breivik.
    Este homem de 32 anos, que reconheceu segunda-feira em tribunal ser o autor do atentado à bomba e dos disparos indiscriminados num acampamento da juventude  trabalhista norueguesa, manifestava na Internet a sua islamofobia e antimarxismo, e é considerado pela polícia como um “fundamentalista cristão”.
    “Tradicionalmente, pretende-se comprometer os partidos de direita com gente desse género”, considerou Filip Dewinter, o chefe da formação flamenga Vlaams Belang.

    Em França, a presidente da FN denunciou uma tentativa de “criar a confusão nos espíritos”.  Para o politólogo francês Jean-Yves Camus, especialista em extrema-direita e investigador, o massacre levanta, no entanto, a questão da “responsabilidade” destes movimentos.
    “É necessário colocar a questão da responsabilidade destas ideias que desde há dez anos apresentam a Europa como um continente em vias de islamização e todos os muçulmanos como inimigos do Ocidente”, considera.
    Os partidos de extrema-direita desempenham, no entanto, uma função de “freio à expressão mais violenta das ideias racistas”, canalizando-as pelo voto, acrescenta o especialista do Instituto das Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS).
    Na perspectiva do académico Mathieu Guidère, que dirige um programa universitário sobre a radicalização no mundo, Anders Breivik representa uma corrente “neofundamentalista cristã”, com origem na reacção aos atentados do 11 de Setembro de 2001.
    O alvo escolhido por Breivik é assim lógico: os jovens trabalhistas que “difundem a ideologia da abertura multicultural”.

    Fonte: Jornal de Angola

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