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    Este Papa ‘não existe’!

    (dimassantos.com.br)
    (dimassantos.com.br)

    Pendurado na parede do lugar em que diariamente queimo neurónios para contribuir, do modo mais digno e leal possível, ao engrandecimento do grupo de comunicação social que há cinco anos erguemos tijolo a tijolo, a Media Nova, encontra-se um quadro modesto, de madeira simples pintada em preto, a emoldurar uma das crónicas que escrevi com mais esperança de encontrar leitores fervorosos.

    Mostro-o a quase todas as pessoas com quem ali me reúno, o que não é propriamente tarefa difícil atendendo à circunstância triunfal de ele dominar o cenário com a sua solidão. As paredes brancas da minha sala foram deixadas, por opção, vazias e em silêncio cromático, para que os olhares se concentrem em exclusivo sobre aquele escrito que elegi como cajado protector.

    A crónica que o pequeno rectângulo preto encerra intitula-se “Aos Franciscos da Terra” e fala dos homens dignos e justos, simbolizados pela trajectória curta mas já incrivelmente espantosa do Papa Francisco no Vaticano. Ainda não está salvaguardada em livro mas tenho memória que uma réplica dela existe, numa moldura castanha em pinho ou, talvez, mogno, entre os haveres do meu amigo Francisco Dias dos Santos “Kito”, depois de a ter arrematado num disputado leilão a meio do ano na sede da União dos Escritores Angolanos.

    Nas crónicas que escrevo, são raros os casos em que retomo nomes, episódios, situações ou relatos, a não ser na cirúrgica e necessária licença poética que me concedi desde sempre relativamente ao Tomessa. Aqui não há limites nas repetições que me alimentam o orgulho de ter nascido nesse lugar cheio de magia, sendo certo, também, que os meus leitores generosos já nem se dão, sequer, ao trabalho de questionar os privilégios dessa omnipresente aldeia natal.

    É quase impossível resistir ao íman espiritual do cardeal que outros cardeais foram buscar à terra das pampas para fazerem dele Papa, naquela rápida eleição que permitiu ao mundo desconfiar que todos sabiam o presente valioso que estavam a oferecer à grande família católica e aos restantes habitantes da Terra, tenham eles ou não crenças religiosas.

    As notícias relacionadas com o Papa nas últimas semanas são de deixar terrivelmente estupefactos todos nós que O assumimos como ídolo inevitável mal se colocou à testa da Igreja Católica Romana. A nova saga – e nova é uma maneira imprecisa de dizer, porque todos sabemos que já em Buenos Aires Jorge Mario Bergolio era o cardeal dos passos improváveis – terá sido iniciada na viagem ao Brasil, quando, ainda na Itália, abordou o avião carregando a sua própria mala de mão e, num lugar de guerrilhas infernais como o Rio de Janeiro, conseguiu paralisar o ímpeto de bazuqueiros, franco-atiradores e bombardeiros de todas as estirpes com a ideia de andar no papamóvel de vidros abertos. Pelo suor e os picos cardíacos dos homens responsáveis pela sua segurança ao longo de toda a visita ao Brasil tenho quase a certeza que ficaram reservados os seus lugares no Paraíso!

    Quando regressou ao Vaticano, acabámos todos por ter novas dicas estonteantes que nos permitem dizer, sem remorsos, que ‘este Papa não existe”. Não é que o bom do líder do rebanho do Senhor se deu ao trabalho de ligar para uma pobre mulher sul-americana e com ela manter uma conversa telefónica de largos minutos, para que pudesse desabafar sobre injustiças de que estava a ser vítima? Um Papa ao telefone para falar com gente comum?

    Dias depois, outra vez ao telefone para demover uma italiana que se sentia tentada a fazer um aborto para evitar, segundo ela, males maiores ligadas a uma poligamia estrambelhada como são, aliás, todas as experiências de multiplicidade amorosa no velho continente (até onde sei, só mesmo em África e nas Arábias se movimentam, ilesos e felizes, os ‘pais grandes’ que juntam quatro a cinco donzelas no harém…).

    “Não faça isso mulher, a vida humana é para preservar, sempre. Trata de dar à luz essa criança, que eu me disponibilizo a ser o padrinho”, terá dito o Papa, mais palavra menos palavra. Alguém consegue imaginar o desafio da Igreja de Pedro depois que a fasquia foi colocada onde se colocou? (opais.net)

    Por Luis Fernando

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