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    Ensino superior precisa de 10 mil docentes

    Angola precisa de pelo menos 10 mil professores a leccionar em tempo integral, para cobrir as exigências mínimas do sistema de ensino superior, afirmou, em entrevista exclusiva à Angop, a titular da pasta, Maria do Rosário Sambo.

    O país conta, actualmente, com menos de três mil docentes a leccionar em tempo integral, para um universo de 79 instituições de ensino superior, das quais 24 públicas e 55 privadas.

    No entender da governante, o número de docentes disponíveis ainda está longe do ideal.

    “Com 10 mil estaríamos em melhores condições e requisitos mínimos”, declarou a ministra citada pela Angop, que disse existir um grande défice de docentes em todas as províncias.

    Para minimizar o défice no ensino superior, serão enquadrados perto de 700 novos professores, por via da realização de concurso público para provimento de novas vagas.

    Apesar do recrutamento, a “entrada em cena” dos novos docentes vai responder apenas 42 porcento das necessidades reais, de acordo com a titular do sector.

    “Para termos um rácio aceitável, partindo do princípio que as instituições foram criadas e foi concebido um corpo, um quadro de pessoal na altura, temos que ter pelo menos dez mil docentes, ou seja, aqueles que estão no quadro de pessoal e em tempo integral”, declarou.

    Maria Sambo precisou que o maior défice de docentes universitários no país está nos cursos de medicina ministrados fora de Luanda e de ciências da saúde, sem precisar números concretos.

    “Todas as instituições de ensino superior públicas têm carência gritante de corpo docente e de pessoal não-docente. Por essa razão, temos um concurso público a decorrer”, afirmou a ministra.

    Reconheceu haver, também, grandes dificuldade para precisar estatísticas concretas do sector.

    “Quando se fala, por exemplo, que há dez mil docentes em todo o sub-sistema de ensino superior, sabemos que esta caracterização foi feita não tendo em atenção que muitos docentes das instituições públicas estão nas instituições privadas”, justificou.

    Afirmou, a esse respeito, que muitos quadros das instituições de ensino superior públicas não são docentes em tempo integral, sublinhando que alguns ligados à função pública prestam também colaboração noutras instituições privadas.

    Segundo a ministra do Ensino Superior, o país cobre actualmente, considerando o seu quadro de pessoal, “cerca de um quarto das necessidades que deveria”.

    Por esta razão, lembrou, o Presidente da República, João Lourenço, autorizou a realização de concurso público no ensino superior, que disse já estar a decorrer.

    Maria Sambo anteviu que, no próximo ano, venham a ser criadas condições para um outro concurso público, a fim de reduzir a carência de docentes e melhorar o rácio professor/aluno.

    Durante a entrevista, referiu, por outro lado, que existe uma Estratégia Nacional de Formação de Quadros no Subsistema do Ensino Superior, “para que o número de docentes doutores e mestres predomine em relação ao número de licenciados”.

    Por isso, disse esperar que no novo concurso público os candidatos sejam mestres, para entrarem como assistentes, e doutores, para entrarem como professores auxiliares.

    Quanto à formação de professores, informou que existe um programa aprovado e publicado em Diário da República, que tem por objectivo principal fazer que no subsistema do ensino superior sejam formados os docentes para os níveis precedentes do ensino.

    A meta é que, em alguns anos, os docentes que estiverem a ministrar aulas no ensino precedente ao ensino superior sejam todos licenciados no mínimo.

    “Este trabalho exige que as próprias instituições do ensino superior vocacionadas para o ensino pedagógico se transformem, no sentido da melhoria dos currículos e da capacitação para cursos de pós graduação, mestrados e doutoramentos. Essas acções estão em curso”, expressou.

    Lembrou, a esse respeito, que Angola tem feito recurso a países estrangeiros, como Cuba, para resolver a dificuldade de docentes, mas acredita que não é essa a solução.

    “A solução é haver concursos públicos, para, de forma rigorosa, com critérios, serem seleccionados os melhores, porque há quadros desempregados no país e fora do país. Obviamente que a cooperação estrangeira é fundamental e importante”, exprimiu.

    A seu ver, é preciso criar condições financeiras para pagar estes professores, sublinhando a importância de capacitar os técnicos nacionais.

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