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    Energia que (não) temos

    O Sector de Energia é das áreas sociais do país que nunca saiu da “boca do povo”, a julgar pela forma deficiente como é fornecida a energia eléctrica em todo o país, resumida em cortes constantes, por um lado, e, por outro, associada à falta de electrificação nos principais centros urbanos do país.

    Luanda, o maior centro habitacional do país, é que mais ressente com a ineficácia do fornecimento de energia eléctrica, por as estruturas com petentes não acompanharem com a implantação de infraestruturas da rede eléctrica o crescimento vertiginoso da cidade.

    Por isso, o fornecimento de energia em Luanda é feito a base de restrições, num caso e noutro nem sequer existe rede pública de electricidade, estando os moradores a depender do uso de geradores, o que acarreta enormes custos com a sua aquisição, manutenção e combustíveis.

    A compra de geradores passou a fazer parte das despesas dos angolanos que, a cada dia que passa, não vislumbra solução para o problema de fornecimento de energia eléctrica por parte das autoridades.

    Hoje, os acidentes derivados do mau uso desse equipamento estão na ordem do dia, sendo também a causa de morte de inúmeras pessoas, entre membros da mesma família e sobre tudo crianças, o que não deixa de ser preocupante.

    Tanto quanto se sabe, as restrições em Luanda vão continuar até pelo menos finais de Outubro de 2012, devido a problemas nas centrais hidroeléctricas de Cambambe e de Capanda, que reduziram para metade as respectivas capacidades de produção.
    E no resto do país

    Os graves problemas de energia não se resumem apenas a Luanda. Em Cabinda, há mais de um ano que a situação de cortes permanentes não muda, o que obrigou a se prestar uma atenção redobrada por parte dos órgãos centrais do Ministério de Energia e Águas.

    Ali, a produção de energia está fixada em 20 megawatts, insuficiente para abastecer a província. Há vários embaraços que intervêm na produção e fazem com que o abastecimen to de energia eléctrica à população esteja na ordem de 60 por cento.

    No Kuando Kubango, as restrições e falhas no fornecimento de electricidade, em Menongue, vão continuar pois não existem ainda condições para aumentar os níveis de produção e de cobertura da cidade.

    O grupo de geradores instalado na central térmica da cidade de Me nongue, com capacidade para quatro megawatts, estar neste momento a produzir apenas três, o que não sa tisfaz o consumo de energia por parte da população, estimada em cerca de 200 mil habitantes.

     

    Novos projectos

    Neste momento estão em curso tra balhos de reabilitação e expansão da rede de energia em Luanda, Cabin da, Saurimo, Dundo, Caxito, Sumbe, PortoAmboim, Huambo, Caála, Lu bango, Namibe e Tômbwa.

    Em Cabinda estão a ser montadas, na nova central térmica de Malembo, duas turbinas a gás, cada uma delas com a capacidade de 35 mega watts.

    Quatro novas subestações vão entrar em funcionamento, em 2012, em Luanda, estando também prevista a construção de outras.

    Kilamba Kiaxi, Viana, Samba e Ca zenga são os municípios a beneficiar com os investimentos a serem realizados com fundos da EDEL, disse re centemente o seu PCA, José Manuel.

    Em Menongue, está prevista a chegada, no primeiro trimestre de 2012, de mais grupos geradores e materiais de baixa tensão para o aumento dos níveis de produção de energia eléctrica e ligações domiciliares.

    O director provincial da Energia e Águas anunciou que, para o próximo ano, está ainda prevista a construção de uma nova central térmica, com uma potência instalada de 10 mega watts, na localidade de Macueva, arredores do Menongue, para servir de alternativa à actual.
    Substituição da ministra

    Depois das constantes paralisações das centrais hidroeléctrica de Cambambe e de Capanda, bem como a inoperância das principais centrais térmicas, um pouco por todo o país, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, veio à terreiro dizer o Sector de Energia vive um momento muito difícil.

    Num breve discurso após dar posse ao novo ministro da Energia e Águas, o Chefe do Executivo realçou que o “grau de desempenho do sector eléctrico dos últimos dois anos não é sa tisfatório” e disse que neste semestre do ano espera por “resultados ainda piores” que nos primeiros seis meses.

    O Presidente referiuse a vários aspectos de âmbito interno do Ministério, realçando a fuga de quadros que podiam ser maisvalias para o pelouro. “Muitos dos quadros com conhecimento e experiência estão a sair do sector porque não concordam com as políticas que estão a ser seguidas e por outras razões”.

    Apontou ainda para enormes quantidades perdidas de energia produzida e um sistema de distribuição e venda de energia ineficiente.

    O Presidente José Eduardo dos Santos disse esperar que João Baptista Borges seja capaz de “motivar os quadros e congregar à volta de si as competências necessárias para a garantia da execução dos programas e projectos de curto, médio e longo prazo já aprovados pelo Executivo”.
    Nova estratégia

    O Conselho de Ministros aprovou no dia 31 de Agosto de 2011 a Política e a Estratégia para o Sector Energético, documento que estabelece as linhas de força para o desenvolvimento deste sector, tendo em conta a necessidade de se fornecer energia a preços acessíveis à população.

    A estratégia visa, por outro lado, satisfazer a crescente demanda de energia eléctrica para a promoção do desenvolvimento industrial, tecnológico, económico e social do país.

     

     

    Fonte: O País

    Foto: O País

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