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    Egipto: Preso porta-voz da Irmandade Muçulmana; congelados bens de Badie

    Gehad El Haddad (Foto: Nadine Marroushi)
    Gehad El Haddad (Foto: Nadine Marroushi)

    Cairo — As autoridades egípcias, apoiadas pelo exército, prenderam nesta terça-feira o porta-voz da Irmandade Muçulmana, Gehad al-Haddad,  e congelaram os bens de Badie e de outros líderes islamitas, em um novo golpe sofrido pelos simpatizantes do presidente deposto Mohamed Mursi.

    Com Gehad al-Haddad, foram presas outras cinco pessoas.

    Um  tribunal egípcio ordenou  o congelamento dos bens de Badie, líder da Irmandade, de seus dois adjuntos, Khairat al-Shater e Rashad Bayoumi, assim como do líder salafista Hazem Abu Ismail e do pregador Safwat Hegazy. Shater, um rico empresário, é considerado o financista do movimento.

    Os cinco actualmente estão presos, acusados de incitar o assassinato de manifestantes contrários a Mursi.

    Haddad, muito presente nas redes sociais e que se expressava regularmente na imprensa, era alvo de um mandato de prisão, como muitos líderes e membros da confraria de Mohamed Mursi, presidente destituído pelo exército no início de Julho, informaram as fontes.

    Durante semanas ele conseguiu escapar da prisão, embora tenha permanecido activo em suas actividades na internet e aparecido com frequência na televisão.

    Outro dos presos nesta terça-feira foi um ex-governador provincial indicado por Mursi, Hossam Abu Bakr, detido em um apartamento no bairro de Nasr City, no Cairo, indicaram fontes de segurança.

    Os seis homens detidos devem permanecer na prisão de Tora, no Cairo, onde diversos líderes da Irmandade já estão presos, incluindo o guia supremo da organização, Mohamed Badie, informaram fontes de segurança.

    Nasr City foi o epicentro dos protestos pró-Mursi, e foi palco durante semanas de um acampamento dos partidários do presidente, que exigiam seu retorno ao poder.

    Mursi está detido em um local não revelado desde sua deposição pelo golpe militar, levado adiante após grandes protestos contra seu governo.

    Em meados de Agosto, o governo interino apoiado pelos militares lançou uma operação sangrenta para acabar com os dois acampamentos de protesto pró-Mursi no Cairo, incluindo o de Nasr City. Centenas de pessoas que estavam ali, e em outras partes do país, foram mortas nos confrontos que se seguiram.

    Na semana seguinte, mais de 1.000 pessoas morreram em episódios de violência registrados em todo o Egipto, a maioria delas partidárias de Mursi.

    Cerca de 15 políticos islamitas já tiveram seus bens congelados como parte da ofensiva contra a Irmandade, um movimento fundado no Egipto em 1928.

    Por muito tempo banido no Egipto, o grupo se tornou gradualmente mais tolerado nos anos que antecederam a revolução de 2011, ganhando assentos parlamentares através de candidatos que concorreram como independentes.

    Ele se tornou o centro das atenções só depois da revolta que derrubou o presidente Hosni Mubarak, conquistando uma maioria no parlamento e, em seguida, a presidência. Mas a deposição de Mursi no dia 3 de Julho voltou a modificar o cenário político no Egipto.

    A dispersão violenta dos acampamentos de protesto em Agosto e a campanha de prisões dispersou as fileiras da Irmandade e tornou cada vez mais difícil mobilizar um grande número de simpatizantes para novos protestos.

    As novas autoridades lançaram um cronograma político que prevê eleições parlamentares e presidenciais em 2014.

    A justiça ordenou bloquear os recursos de 15 dirigentes islamitas, muitos deles de outras grupos, como o salafista Hazem Abu Ismail e o pregador Safwat Higazi, também presos.

    As autoridades instaladas pelos militares iniciaram, depois da destituição de Mursi em 3 de Julho, uma implacável campanha contra a Irmandade Muçulmana e seus aliados islamitas, com excepção ao partido salafista Al Nur, que se associou à transição.

    A repressão alcançou seu auge em 14 de agosto, quando o exército e a polícia destruíram no Cairo dois acampamentos de islamitas que reclamavam a restituição ao poder do primeiro presidente eleito democraticamente no Egipto.

    Os confrontos na semana seguinte somaram mais de mil – em sua maioria, simpatizantes de Mursi – e quase mil prisões.

    Desde a deposição de Mursi pelo exército, no dia 3 de Julho, e sua detenção, mais de 2.000 membros da Irmandade foram presos e vários estão enfrentando julgamento.

    A repressão que desmobilizou a Irmandade Muçulmana também levou à morte de centenas de partidários islamitas nos confrontos registrados posteriormente em todo o país.  (AFP/edição de Portal de Angola)

     

     

     

     

     

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