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    Egipto dissolve o braço político da Irmandade Muçulmana

    (Foto de Sayed Baz/AFP)
    (Foto de Sayed Baz/AFP)

    A Justiça administrativa egípcia dissolveu neste sábado o Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana, declarado organização terrorista em 2013 depois que o Exército derrubou o presidente islamita Mohamed Mursi.

    Até a queda de Mursi, o Liberdade e Justiça ganhou todas as eleições desde sua criação em 2011, após a mobilização popular que obrigou Hosni Mubarak a abandonar a presidência depois de três décadas no poder.

    A Corte Administrativa Suprema dissolveu o partido, “porque violou a lei que rege o funcionamento dos partidos políticos”, indica a decisão judicial.

    Segundo a imprensa governamental, trata-se de uma decisão inapelável.

    Em sua campanha eleitoral o agora presidente e ex-marechal Abdel Fatah al-Sissi prometeu “erradicar” a Irmandade. Antigo chefe do Exército, Al-Sissi destituiu Mursi e foi eleito por ampla maioria em Maio para dirigir o país.

    Depois de uma campanha de liquidação do grupo, com o massacre e a detenção de milhares de integrantes da Irmandade, a dissolução do Justiça e Liberdade parece ser a última etapa dessa promessa.

    – ‘Crimes terroristas’ –

    A repressão contra os manifestantes islâmicos que reivindicavam a volta de Mursi, depois de sua queda em Julho de 2013, já deixou mais de 1.400 mortos. Pelo menos 15 mil membros e simpatizantes da Irmandade Muçulmana foram presos.

    Quase todos os comandos da confraria e do partido foram julgados e estão presos, assim como o próprio Mursi. Centenas de membros da Irmandade foram condenados à pena capital em julgamentos denunciados por diferentes organizações internacionais, incluindo a ONU.

    Al-Sissi ganhou a eleição presidencial de Maio de 2014 com 96,9% dos votos, depois de eliminar qualquer oposição da disputa – islâmicos, liberais e, em particular, os movimentos de jovens na origem da revolta contra Mubarak no início de 2011.

    No governo de Mursi, milhões de egípcios foram às ruas denunciá-lo por querer islamizar a sociedade e a vida política à força, além de acusá-lo de arruinar a economia. Desde sua destituição, Al-Sissi dirige o país com mão de ferro.

    Em Dezembro de 2013, quando movimentos jihadistas ligados à rede Al-Qaeda assumiram a autoria de atentados contra policiais e militares, a Justiça egípcia incluiu a Irmandade Muçulmana na lista de “organizações terroristas”. Em Abril de 2014, um tribunal proibiu os membros da Irmandade e do Partido Liberdade e Justiça de se apresentarem às eleições legislativas e locais previstas para o outono.

    Segundo a agência estatal de notícias Mena, a denúncia contra o Liberdade e Justiça considerou que “esse partido e a Irmandade Muçulmana são a mesma coisa”. A Justiça alegou ainda que “seus membros estão envolvidos em acções violentas e em crimes terroristas contra o país”. (afp.com)

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