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    É brasileiro, tem apenas 15 anos e pôs o iPhone a entender português

    Fórmula do algoritmo escrito numa janela

    Um adolescente brasileiro de 15 anos de idade conseguiu que o sistema de reconhecimento de voz Siri, lançado com o mais recente modelo do iPhone, o 4S, entenda perguntas em língua portuguesa, quando oficialmente apenas reconhece o inglês, o alemão e o francês.


    “Como a Apple sempre esquece do Brasil quando lança algum produto desse tipo, achei que seria uma oportunidade legal de tentar mudar isso”, afirmou o jovem Pedro Franceschi à agência Lusa.

    A ideia partiu de uma conversa com os amigos, utilizadores do iPhone 4S que sentiam falta de poder utilizá-lo na sua língua materna.

    Simplificando a explicação, o jovem diz que a adaptação foi feita a partir da intercepção da comunicação entre o dispositivo de reconhecimento de voz do iPhone, conhecido como Siri, e os servidores da Apple. Para tal, o jovem programador utilizou a aplicação Dragon Dictation, que também transcreve dados de voz, incluindo em português.

    “Basicamente, o áudio é interpretado utilizando a aplicação Dragon Dictation, da Nuance, é traduzido e regravado em inglês e então é enviado de volta para a Apple, simulando uma consulta feita em inglês ao Siri”, explica o estudante.

    Segundo Pedro Franceschi, a solução foi encontrada após três dias “quebrando a cabeça” e duas noites “viradas”. O trabalho maior foi decifrar os protocolos de comunicação trocados entre a Apple e o iPhone 4S.

    A funcionalidade ainda não está disponível para os utilizadores comuns. Mas, como se pode ler no blogue de Pedro Franceschi, “assim que o Jailbreak [método através do qual é possível desbloquear o iPhone para permitir a instalação de outros programas, que não os aprovados oficialmente pela Apple] do iPhone 4S estiver disponível, trabalharei arduamente para fazer o Siri em português brasileiro funcionar no iPhone 4S, não dependendo assim da Apple para isso!”

    Como utilizou na adaptação tecnologias que são patenteadas (da Dragon Dictation, por exemplo), Pedro explica que a única parte de seu trabalho possível de ser registável seria o algoritmo de comparação de áudios, criado por ele. O jovem afirma, no entanto, que não possui qualquer interesse em registar patentes de inventos seus, por questões ideológicas. “Acho que o conhecimento é livre e patentear software não é uma alternativa interessante”, enfatiza.

    Desde a divulgação da descoberta, o jovem autodidacta – que programa desde os oito anos – passou a ser procurado por empresas com ofertas de trabalho. Nenhum delas, porém, o fez sair da firma de programação onde já trabalha.

     

    Fonte: O Publico

    Foto: DR

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