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    Dois ex-líderes hutus são condenados à prisão perpétua pelo genocídio em Ruanda

    O Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) condenou nesta quarta-feira à prisão perpétua dois ex-líderes da etnia hutu por suas participações no genocídio ruandês de 1994 que matou mais de 800 mil integrantes das minorias tutsi e hutus moderados.

     

    O ex-presidente do Movimento Republicano Nacional Pela Democracia e Desenvolvimento (MRND), Matthiew Ngirumpatse, 72 anos, e o ex-vice-presidente da mesma sigla, Edouard Karemera, 60 anos, foram considerados culpados por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

    Os três juízes do tribunal os apontaram como os coordenadores das execuções cometidas em 1994 pelos jovens da milícia Interahamwe do MRND. “Eles têm também a responsabilidade por estupros e agressões sexuais cometidos em grande escala contra mulheres e meninas tutsies”, adicionaram os juízes do TPIR.

    O genocídio ruandês começou com o atentado contra o avião do presidente Juvénal Habyarimana, na capital Kigali, no dia 6 de abril de 1994, e foi o ponto de partida para as atrocidades. A partir do dia 11 de abril, armas foram distribuídas aos Interahamwe com o objetivo de extermínio dos tutsis. “Uma organização criminosa se originou com a participação de integrantes do governo interino, políticos Interahamwe, além de empresários influentes”, afirmou o TPIR.

    O julgamento concluiu que o plano de defesa civil lançado pelo governo interino visou a continuação do extermínio dos tutsis. Neste momento da revolta, armas brancas, como machetes e cacetetes, foram distribuídas no intuito da perpetuação dos massacres.

    Os ataques dos hutus contra os tutsis duraram cerca de 100 dias e terminaram como um dos genocídios mais sangrentos da história da humanidade.

    Tribunal Penal Internacional

    O Tribunal Penal Internacional faz parte do Conselho de Segurança da ONU e sua corte tem competência para julgar os responsáveis por crimes de guerra, genocídios e crimes contra a humanidade quando os tribunais dos países não forem considerados eficazes.

    Dois tribunais internacionais temporários foram criados na década de 1990 sob a justificativa de que a jurisdição do local foi falha no cumprimento da justiça. Em 1993, em Haia, nos Países Baixos, o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia julgou os culpados pelos crimes praticados durante a guerra civil no país. Outro tribunal internacional foi estabelecido em 1996 em Arusha, na Tanzânia, com a missão do julgamento dos responsáveis pelo genocídio em Ruanda em 1994.

     

     

    Daniella Franco

    Fonte: RFI

    Foto: Dilly Lama

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