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    Doentes angolanos com VIH/SIDA “são mais discriminados por profissionais de saúde”

    Os doentes angolanos com o VIH/SIDA queixam-se que são os profissionais de saúde dessa área quem mais os discrimina, desrespeitando sobretudo o sigilo profissional, segundo um estudo apresentado hoje em Luanda.

    O estudo, da Fundação “Open Society” e denominado “A Visão das Pessoas Vivendo com VIH/SIDA”, incidiu sobre vários aspetos que preocupam essas pessoas como a discriminação, diagnóstico, tratamento e qualidade de vida dos doentes.

    A investigação foi feita em 10 das 18 províncias angolanas, nomeadamente Bié, Cabinda, Huambo, Huíla, Kuanza Norte, Luanda, Lunda Sul, Malange, Moxico e Uíge, com o objetivo de se definir as caraterísticas das pessoas a viverem com o vírus, a quantidade que tem acesso ao aconselhamento e tratamento, entre outras vertentes.

    As províncias do Kuanza Norte e do Moxico são as províncias que aparecem no gráfico sobre a opinião dos doentes discriminados pelos profissionais de saúde como as que estes mais divulgam os resultados dos testes.

    A Huíla, seguida da província de Cabinda, é a que surge no gráfico com mais ações de discriminação pelos técnicos de saúde, enquanto em Malange os profissionais fazem uso das duas práticas, ou seja, discriminam e divulgam os resultados dos testes.

    Nesse sentido, o estudo recomenda ao Ministério da Saúde de Angola (MINSA) e ao Instituto Nacional de Luta Contra o SIDA (INLS) que desencadeie “urgentemente” ações de formação dos profissionais de saúde.

    Os doentes que vivem com o VIH/SIDA reclamam ainda que a qualidade dos serviços prestados pelos profissionais de saúde ainda é deficiente, que não compensa o esforço das autoridades governamentais para a criação de mais unidades de atendimento.

    “O MINSA e o INLS devem analisar as queixas das Pessoas Vítimas de VIH (PVVIH) relativas ao mau funcionamento, deficiente prestação de cuidados e de fracas condições de determinadas instituições de saúde, tomando medidas no sentido de serem colmatadas essas situações ou se ultrapassarem as dificuldades existentes”, recomenda o estudo.

    Sobre as campanhas de informação da doença, os doentes queixam-se de que elas não devem apenas informar como se prevenir a doenças, mas incluir igualmente esclarecimentos para as pessoas que já convivem com o vírus.

    Durante a apresentação do documento, Carlos Morgado, membro integrante da equipa de investigação do estudo vem, pela primeira vez em Angola, “dar voz às pessoas que vivem o seu dia-a-dia com a infeção”.

    “Esta era uma parte do problema que não tinha sido considerada até hoje. Ouvimos habitualmente as instituições governamentais, as organizações da sociedade civil, os especialistas, os profissionais de saúde a pronunciarem-se sobre o problema, mas nunca ouvimos diretamente as pessoas expressarem em conjunto a situação que estão a atravessar”, referiu Carlos Morgado.

    FONTE: Lusa

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