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    Diáspora guineense em protesto contra Sissoco em Lisboa

    Guineenses na diáspora acusam o Presidente Sissoco de estar a sequestrar o país, pondo em causa conquistas da independência. Numa manifestação, este sábado, em Lisboa, exigiram o afastamento do estadista da Presidência.

    Fátima Pereira, há 15 anos em Portugal, é uma de muitos cidadãos guineenses descontentes com a situação política e social na Guiné-Bissau. Ela associou-se à manifestação deste sábado (10.02), em Lisboa, por querer ver o seu país livre, sem medo dos desmandos do Presidente Umaro Sissoco Embaló.

    “É muito triste o que está a acontecer”, expôs, em declarações à DW, a cidadã que trazia um vestido com as cores da bandeira nacional. “Quero que devolvam a Assembleia Nacional ao PAIGC [Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde], que ganhou com 54 deputados”, afirmou, pedindo depois o regresso de Domingos Simões Pereira, presidente do Parlamento e líder da coligação Plataforma Aliança Inclusiva (PAI-Terra Ranka), vencedora das eleições legislativas de 4 de junho de 2023.

    A manifestação foi convocada pelos núcleos do PAIGC, em defesa da Constituição e da reposição da ordem constitucional na Guiné-Bissau, depois da decisão presidencial que afastou a coligação da governação com a dissolução da Assembleia Nacional Popular (ANP).

    Samanta Pimentel é outra guineense que enturmou o grupo de manifestantes. “Não votei nos bandidos. Quero o nosso Governo eleito de volta”, reclamou.

    Do Marquês de Pombal, aos Restauradores, percurso definido pelas autoridades para a marcha, ouviram-se cantos de unidade entre os guineenses, mas também vozes contra a ditadura encabeçada por Sissoso Embaló.

    “Sissoso rua. Ditadura Nunca”; “Abaixo à ditadura”; “Viva o PAIGC”; “Queremos a nossa Assembleia” foram algumas das frases que se fizeram ouvir.

    Vontade popular para mudar

    “O nosso país está sequestrado”, disse outro dos manifestantes ouvidos pela DW África.

    Um outro cidadão guineense, que também não quis identificar-se, reconheceu que “a Guiné-Bissau está mergulhada numa crise enorme” e que “é preciso reverter a inconstitucionalidade”, considerando que tem havido “muitos atropelos à lei”.

    Entre os manifestantes, há quem tenha questionado “os atropelos sistemáticos às vitórias eleitorais do PAIGC”, mais concretamente do projeto PAI-Terra Ranka. De um modo geral, as opiniões recolhidas pela DW vão no sentido da reposição da legalidade.

    Há também quem defenda que é necessário resgatar a Guiné-Bissau, mas que tudo deve ser feito para remover Sissoco Embaló e levá-lo a abandonar o poder. É o que defende o ativista político e panafricanista radicado em França, Filinto Djaló de Pina, para quem “a situação na Guiné-Bissau é estranha e catastrófica”.

    “Espero bem que a comunidade internacional tenha consciência do homem que eles apoiaram para chegar ao poder na Guiné-Bissau”, avisou Djaló de Pina. “Não podemos continuar nesta situação lamentável”, adiantou, lamentando o estado a que chegou o país marcado também por raptos, inoperância das instituições, falta de escola e de saúde pública e muito sofrimento.

    Democracia em causa

    Paulo Sousa Cordeiro voou da Alemanha para Lisboa, em representação da comunidade guineense. O dirigente associativo considera que a experiência ganha com exemplos da democracia na Europa pode ajudar a reverter a situação no país.

    “A diáspora deve continuar a lutar no sentido de encorajar, sobretudo aqueles que estão no terreno a resistir”, afirmou. “Quando a democracia está em causa, só há um instrumento: negar e resistir”, adiantou, referindo que esta mensagem também tem sido difundida através das redes sociais, com apelos a manifestações de protesto e denúncia das atrocidades cometidas pelo regime de Sissoco.

    Muitos dos cidadãos guineenses que engrossaram esta manifestação em Lisboa participaram na sexta-feira (09.02) numa conferência, em Oeiras, para refletir sobre a Guiné-Bissau como “um Estado em risco”. Ouviram-se também muitas críticas aos atores políticos “que só pensam em si e não no povo guineense”.

    Entre as conclusões, ficou vincado no documento final que os guineenses na diáspora recusam a realização de novas eleições legislativas, porque entendem que nada justifica essa decisão anunciada pelo Presidente Sissoco Embaló.

    Daí que ficou expressa a determinação da diáspora prosseguir a luta com várias iniciativas, entre as quais a realização de protestos de rua e ações junto de instituições internacionais visando chamar atenção para a situação na Guiné-Bissau.

    Neste contexto, não faltaram críticas à inércia da Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), instituições de que a Guiné-Bissau faz parte.

    Tanto a conferência como a manifestação deste sábado contaram com as vozes de representantes da diáspora guineense na Alemanha, França, Reino Unido, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo.

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    FonteDW

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