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    Desigualdade brasileira é criticada na Feira do Livro de Frankfurt

    Obras como "O menino maluquinho", de Ziraldo, decoram o pavilhão brasileiro na Feira do Livro de Frankfurt. (REUTERS/Ralph Orlowski)
    Obras como “O menino maluquinho”, de Ziraldo, decoram o pavilhão brasileiro na Feira do Livro de Frankfurt.
    (REUTERS/Ralph Orlowski)

    As manifestações brasileiras tiveram eco na abertura oficial da Feira do Livro de Frankfurt que este ano homenageia o Brasil. A cerimônia aconteceu na noite desta terça-feira, 8 de outubro de 2013, e contou com a presença da grande comitiva brasileira em Frankfurt. O vice-presidente Michel Temer, que fez o discurso final, foi vaiado por parte da plateia.

    O escritor mineiro Luiz Ruffato, que fez um dos discursos de abertura, denunciou em sua fala a impunidade e a desigualdade social, resultado dos 500 anos de desmando no Brasil, país paradoxal, e foi aplaudido durante vários minutos pela plateia lotada. Ele foi um dos assinantes do manifesto contra a violência policial nos protestos brasileiros, lançado pelo escritor João Paulo Cuenca, e já assinado por vários dos 70 autores convidados a Frankfurt.

    Depois de Ruffato, falou a carioca Ana Maria Machado, presidente da Academia Brasileira de Letras. Ela convidou os alemães a mergulharem na identidade plural da literatura e da cultura brasileira, muito mais diversa que os eternos clichês do país. O ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, brincou que durante a Feira, Frankfurt vai se tornar o subúrbio do Rio. Ele lembrou as relações históricas entre os dois países e disse que a Alemanha continua apoiando o Brasil na campanha pela reforma do Conselho de Segurança da ONU.

    O discurso final foi do vice-presidente brasileiro. Michel Temer falou das conquistas democráticas da Constituição brasileira, da importância dos livros em sua infância e foi vaiado por parte do público presente. Na sequência, a ministra da Cultura Marta Suplicy inaugurou o Pavilhão do Brasil em Frankfurt.

    Um espaço de 2500 metros quadrados que abre as portas nessa quarta-feira para os profissionais do setor, propondo palestras com os autores da comitiva oficial e intervenções artísticas. O grande público poderá visitar o local durante o fim de semana. Além do pavilhão, o Brasil também está presente em Frankfurt com um estande coletivo que reúne 168 editoras. A Feira do Livro de Frankfurt, o maior evento literário do mundo, vai até o dia 13 de outubro. (rfi.fr)

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