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    Declarações do antigo ministro angolano dos Transportes provoca reacções e cepticismo

    VOA

    As declarações do antigo ministro angolano dos transportes, Augusto Tomas em tribunal, segundo as quais já possuía seus bens antes de entrar para o Governo estão a provocar reacções e muitos são os que, cépticos, questionam a veracidade das mesmas.

    Há quem avance mesmo que o caso ultrapassa o antigo homem forte dos transportes para tratar-se de um caso de segurança nacional.

    O académico João Lukombo Nza Tuzola defende haver a necessidade de todo cidadão. antes de entrar como para a Administração Pública, apresentar uma declaração pública dos bens.

    O sociólogo e antropólogo entende ser muito difícil acreditar nas justificações apresentadas em tribunal por Augusto Tomás.

    “É muito difícil acreditar no que o antigo ministro dos Transportes diz porque ele não apresenta provas da fortuna que tinha antes de entrar para o Governo, sem as quais não acredito que ele tenha enriquecido antes de ser governante”, sublinha Nza Tuzola.

    O mesmo argumento tem o jornalista e analista político Ilídio Manuel, que lembra que Augusto Tomás passou por outros cargos de realce.

    “Essa justificação que já tinha seus bens antes de chegar ao poder para mim não colhe porque Angola deve ser dos poucos países do mundo onde se produzem super-ricos em pouco tempo, e esta multiplicação milagrosa do dinheiro não é feita de forma lícita porque as pessoas entram pobres e saem milionárias do Governo”, comenta Manuel, destacando o facto de o próprio Tomás ter afirmado que possuia 40 imóveis.

    “Não nos esqueçamos que antes de ter sido ministro dos Transportes ele foi ministro das Finanças, quando chegou lá já ele tinha esses bens todos? Pelo que eu conheço, sei que ele tinha dificuldades antes de ser ministro”, garante aquele jornalista.

    Por seu lado, para o economista Faustino Mumbica, a questão é muito mais séria do que parece e ultrapassa o caso em concreto o antigo ministro.

    “É um problema que afecta a quase totalidade dos servidores públicos desde os ministros, governadores, administradores etc, trata-se de um problema de âmbito nacional com implicações mesmo a nível da segurança nacional”, afirma Mumbica.

    Para aquele profgessor universitário, “a forma como se está a manietar a economia nacional tem a ver com determinados sectores estratégicos da economia que estão totalmente entregues nas mãos de um grupo de indivíduos”.

    O julgamento do antigo ministro dos Transportes e mais cinco ex-funcionários, acusados dos crimes de peculato na forma continuada, violação das normas de execução do plano e orçamento na forma continuada, abuso de poder, participação económica em negócio e de branqueamento de capitais, decorre desta a passada sexta-feira, 31, no Tribunal Supremo.

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