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    Cuba: Partido Comunista discute mudanças

    A portas fechadas, 811 delegados do Partido Comunista de Cuba discutem neste fim de semana o futuro da ilha, que vive a expectativa de mudanças.

    Embora as decisões tomadas na reunião tenham impacto direto sobre a vida dos cubanos, o encontro tem sido posto à sombra do campeonato de beisebol, desporto popular na ilha, pela imprensa oficial de Cuba.

    Os dirigentes do partido, definido pela Constituição como “a força dirigente superior do Estado e da sociedade”, devem discutir um limite de idade para as autoridades, a fim de estimular a renovação na administração cubana.

    Uma das resoluções mais esperadas é a limitação em dois termos, de cinco anos cada, o mandato das autoridades cubanas.

    A conferência é considerada a continuação do Congresso Nacional do Partido Comunista, realizado no último ano.

    Na ocasião, o atual líder cubano, Raúl Castro, defendeu que as mudanças na ilha estão condicionadas a mudanças no partido.

    Castro disse, então, que era preciso mudar a “mentalidade” do partido, que esteve “por anos atada a dogmas e critérios obsoletos”.

    Hoje com 80 anos, Castro assumiu a liderança cubana em 2008, no lugar do irmão, Fidel Castro, líder revolucionário e dirigente do país por quase cinco décadas.

    O documento oficial sobre a conferência em Havana diz que o encontro é destinado a uma “avaliação crítica e objetiva” do Partido Comunista cubano e irá discutir a necessidade de um “debate e uma crítica interna” do órgão dirigente do país.

    Mudanças

    Embora os automóveis antigos e os edifícios deteriorados de Havana deem a impressão de que Cuba tenha parado no tempo, o regime tem impulsionado mudanças, ainda que vagarosas, nos últimos tempos.

    Os cubanos agora são livres para vender e comprar propriedades, abrir pequenos negócios e até empregar outros cubanos – resoluções impensáveis há poucos anos.

    O Estado também prepara a demissão de milhares de funcionários públicos, enquanto incentiva a abertura de negócios privados.

    O regime também libertou dezenas de presos políticos, após negociações intermediadas pela Igreja Católica local e o governo da Espanha.

    O opositor Oscar Espinoza Chepe não acredita, no entanto, em mudanças significativas no comando do partido.

    “Sou pouco otimista”, diz. “Para se transformar, o partido deveria começar reconhecendo os erros que cometeu”, argumenta.

    “Mas quando você olha os documentos se dá conta de que é o mais do mesmo, que são apenas mudanças cosméticas”, diz.

     

    Fonte: BBC

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