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    Contra- Inteligência Militar desmantela esquema de corrupção na Casa de Segurança do Presidente

    Fontes do Novo Jornal garantem ter sido o Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM) a avançar com estratégia que culminou na «Operação Caranguejo». A contra-inteligência militar começou a investigar irregularidades na Casa de Segurança do PR no primeiro trimestre de 2018 e, quando o processo atingiu a fase de competências meramente civis, em 2020, passou a estar sob responsabilidade do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE). General Sequeira João Lourenço é um dos poucos “sobreviventes” do escândalo que abalou a estrutura castrense.

    Aprisão do major Pedro Lussaty, a exoneração do ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, general Pedro Sebastião, do chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar, general Apolinário José Pereira, e de outras sete altas patentes da Casa de Segurança do Presidente da República (vide anexos), resultantes de uma operação conhecida como “Caranguejo”, desmantelou um antigo e bem articulado esquema de corrupção que “transitou” da governação de José Eduardo dos Santos para a actual, de João Lourenço.

    Fontes do NJ garantem que a operação, sem o nome que agora lhe é atribuída, começou no princípio de 2018 e dentro de estruturas sob controlo e vigilância do SISM. Desde cedo, foram detectadas irregularidades na gestão financeira e na aquisição de equipamentos técnicos e logísticos.

    “Do ponto de vista da inteligência e segurança, os quartéis e unidades militares estão sob vigilância do SISM. No início de 2018, foram desencadeadas várias operações de rotina nestas estruturas, que resultaram na apreensão de meios técnicos, rolantes e de avultados valores monetários em contentores. Na realidade, foi tudo como um puzzle, sendo um apanhado aqui hoje e outro acolá, amanhã acabando por completar todas as peças do jogo. Aos poucos, foi-se tendo noção da dimensão dos esquemas e das pessoas envolvidas”, avança uma fonte.

    Há anos que o SISM enfrenta problemas com a falta de meios técnicos e operacionais, recursos humanos e financeiros, sendo considerada, neste momento, o “parente pobre” dos Serviços de Inteligência e Segurança de Angola. No OGE de 2021, cabe ao SISM o valor de 2.644.259.121,00 AKZ (Dois biliões, seiscentos e quarenta e quatro milhões, duzentos e cinquenta e nove mil e cento e vinte um kwanzas), ao passo que o SIE dispõe de 25.774.921.542,00 AKZ (Vinte e cinco biliões, setecentos e setenta e quatro milhões, novecentos e vinte e um mil e quinhentos e quarenta e dois kwanzas), o SINSE tem o maior “bolo”, com 81.960.353.370, 00 (Oitenta e um biliões, novecentos e sessenta milhões, trezentos e cinquenta e três mil e trezentos e setenta kwanzas). Até mesmo uma estrutura como a Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE) com os seus 3.608.150,000 (Três biliões, seiscentos e oito milhões, cento e cinquenta mil kwanzas) tem uma cabimentação superior ao SISM.

    “As diferenças de orçamento entre os três Serviços de Inteligência e Segurança em Angola são abismais. O SINSE é, dentre os três, o que tem o maior orçamento, meios e protagonismo. O escândalo a que assistimos na Casa de Segurança do PR resulta também desta falta de capacidade do SISM em controlar e actuar em tempo útil. Há aqui a necessidade de um maior equilíbrio orçamental, para que os resultados surjam”, revela um antigo oficial da segurança.

    A delimitação de espaços, áreas e timings de actuação são importantes para que exista uma verdadeira coordenação em termos dos Serviços de Inteligência. Os egos, as lutas de protagonismo e o espaço de influência acabam por dificultar uma acção coordenada. Há uma estrutura que “brilha demais” (SINSE), outra um pouco “low profile” (SIE) e, finalmente, uma que está literalmente “apagada” (SISM). “Nesta agora chamada “Operação Caranguejo”, foi o SISM quem iniciou toda a operação em 2018, porque, sendo a Casa de Segurança uma estrutura militarizada, era sua competência. Em 2020, quando nos deparámos com contas bancárias e empresas que são da competência dos civis, passámos o testemunho ao SINSE. É claro que não é correcto quando se atribui todo o mérito desta operação ao SINSE, como se tem feito em vários círculos mediáticos”, garante uma fonte dos Serviços de Inteligência.

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