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    Confrontos em várias regiões de Tunísia após demissão de antigo Governo

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    Túnis, Tunísia  – A demissão do Governo tunisino liderado pelo islamita Ali Larayedh acontece num contexto social sensível, marcado por violências e confrontos com as forças da ordem.

    A revolta social devida à persistência da pobreza e do desemprego, alavanca da revolução, foi acentuada por recentes medidas tomadas pelo Governo que instaura novos impostos nos transportes, nomeadamente agrícolas.

    Algumas horas antes de apresentar a sua demissão ao Presidente da República, Moncef Marzouki, o chefe do Governo cessanteAli Larayedh, anunciou a suspensão destes impostos no termo da reunião do Conselho Superior da Segurança.

    Larayedh justificou esta decisão pela vontade de “desencorajar o terrorismo e os grupos criminosos”.

    Num comunicado divulgado quinta-feira na sua página oficial Facebook, o Ministério do Interior ianunciou uma troca de tiros entre as forças da ordem e um grupo terrorista em Kasserine, cidade próxima da fronteira argelina.

    Referindo-se a “informações seguras”, o comunicado revela a existência na região dum “terrorista perigoso armado, de nacionalidade argerlina” ainda em fuga.

    Segundo a fonte, este indivíduo identificado como Khaled Chaieb teria entrado na cidade proveniente do Jebel Chaambi onde se escondem elementos terroristas perseguidos há vários meses pelo Exército tunisino.

    Alcunhado de Lokmane Abou Sakhr, estaria implicado no assassinato de militares e de agentes da Guarda Nacional tunisina dos quais cerca de 15 morreram nestes últimos tempos.

    Os confrontos sociais tomaram uma grave amplitude há vários dias em várias regiões do norte ao sul do país.

    Em Kasserine, uma das regiões mais pobres do centro-oeste tunisino, vários habitantes e responsáveis de associações da Sociedade Civil deploram a ausência de melhoria nas suas condições de vida.

    “Consentimos, com a população de Sidi Bouzid. bastião da revolução, pesados sacríficios com numerosos mortos e feridos, mas não vimos nada em contrapartida há três anos agora”, se queixou um habitante de Kasserine no micro da televisão Nessma.

    “Há cerca de dois anos, um ministro veio lançar a primeira pedra para a construção duma fábrica, mas o projeto não avançou, só a placa inaugurada pelo ministro fica no local”, deplorou um outro cidadão da região.

    Kasserine, como várias outras regiões do interior do país, regista impostos mais elevados de pobreza e de desemprego que se estima em mais de 24 porcento para os jovens diplomados.

    Em várias localidades do Kef noroeste, de Sfaz e de Tataouine (sul) de Kairouan (centro), edifícios públicos, nomeadamente postos de Polícia, estradas cortadas e locais do partido islamita “Ennahdha”, no poder foram incendiados, noticia a Agência Oficial TAP.

    O Exército disparou e a Polícia usou gases lacrimogéneos em Tataouine para dispersar grupos de manifestantes que lhe apedrejavam.

    Em Meknassi, perto de Sidi Bouzid, confrontos opuseram jovens às forças da ordem depois do incêndio dum posto de correio, noticiou a TAP, que revela vários agentes feridos e a detenção de manifestantes cujo número não foi determinado.

    Em Majel Belabbès, uma localidade de Kasserine, uma manifestação de diplomados desempregados apoiados pelos camponeses e cidadãos conduziu ao encerramento das instituições públicas como postos de correio.

    Em Sfax, os transportes públicos foram paralisados e estabelecimentos escolares foram encerrados, segundo a rádio Shems FM.

    Segundo a rádio Mosaique FM, uma bomba artesanal foi descoberta num liceu em Tabarka (noroeste) e foi desativada por especialistas.

    As manifestações atingiram o principal porto do país, o de Radès, próximo de Túnis, onde camiões bloquearam os acessos. (panapress.com)

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