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    Chegou a hora e vez de Maria das Neves

    A poucas horas da abertura oficial da campanha para as eleições presidenciais, que ontem começou, a candidata independente Maria das Neves garantiu, em entrevista exclusiva ao Jornal de Angola, que vai continuar a ir ao encontro das massas e a conhecer de perto os problemas do povo, para apresentar soluções. Tendo por lema de campanha “Chegou a hora!”, acredita que este é o momento de garantir a estabilidade política, relançar a economia e promover o desenvolvimento do país.

    Jornal de Angola – Qual é a sua estratégia para a campanha?

    Maria das Neves – A minha principal estratégia é percorrer o país, ouvindo e vendo de perto a realidade de cada zona. Essa sempre foi a minha forma de trabalhar, mesmo quando ocupei postos administrativos, indo para o terreno, conhecendo de perto os problemas do povo. E agora, na campanha eleitoral, não podia ser diferente.

    JA – O que a preocupa mais em São Tomé e Príncipe?

    MN –

    Tenho dito sempre que o maior inimigo de São Tomé e Príncipe é a instabilidade política, porque com ela não há investimentos, desenvolvimento, emprego, saúde, educação e a garantia de assegurar as necessidades básicas do povo, que é realmente o mais importante. Precisamos de encontrar o nosso caminho de desenvolvimento e sem estabilidade isso não será possível.

    JA – Considera que satisfaz a vontade de inovação dos são-tomenses?

    MN – Sim. Sem essa convicção não me teria candidatado. Os são-tomenses estão cansados da situação em que o país se encontra. Em muitas zonas por onde tenho passado, as pessoas – homens, mulheres, jovens – vêm ter comigo dizendo que está na hora de mudar, está na hora de votar em quem está comprometido com o povo. Por isso, o lema da minha campanha é “Chegou a hora!”. Chegou a hora de garantir a estabilidade política, de relançar a economia, promover o desenvolvimento e renovar a esperança no futuro do país.

    JA- Faz parte do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP/PSD) que tem quatro militantes a concorrerem às presidenciais, três deles como independentes. Como é isso possível?

    MN – Cada membro tem propostas específicas e decidiu candidatar-se. Segundo a nossa Constituição, qualquer são-tomense maior de 35 anos de idade pode candidatar-se para dar o seu contributo ao país.

    JA – E como se relaciona com os outros candidatos do seu partido?

    MN – Posso dizer que, a todos os níveis, a minha postura sempre foi de respeito, cordialidade e civilidade. Somos todos são-tomenses com propostas para o futuro. Democracia é isso. Respeito pela diversidade de opiniões. Quem decidirá qual é a melhor proposta é o povo de São Tomé e Príncipe.

    JA – São 13 candidatos e alguns de peso. Isso não a intimida?

    MN – Passei por muitos momentos difíceis na minha vida. Sobretudo na minha vida profissional e política. Desde muito cedo, aprendi a empenhar-me nos estudos, no trabalho e na militância política. Tudo foi conquistado com muita luta, por isso estou nesta campanha com o coração aberto, contando com o carinho da minha família, dos meus colaboradores, do povo de São Tomé e Príncipe e, sobretudo, com fé em Deus. Com tanto apoio, não posso sentir-me intimidada.

    JA – Se for eleita, que áreas de cooperação vai privilegiar com Angola?

    MN – Angola é um parceiro importantíssimo no campo da cooperação política e comercial, com diversas áreas nas quais poderemos actuar conjuntamente.

    JA – A pré-campanha eleitoral tem sido pacífica?

    MN – O povo são-tomense é pacífico e cordial. Apenas posso falar pela minha campanha. Em todos os distritos temos encontrado um acolhimento positivo, com muita participação de todos.

    JA – Na sua qualidade de ex-primeira-ministra, pode explicar o que fracassou no seu governo?

    MN – Se considerarmos que em dez anos tivemos dez primeiros-ministros explicaremos aquilo que já apontei como sendo o maior inimigo do país: a instabilidade política. E com a instabilidade vem a pobreza.

    JA – Se for eleita, como pretende tirar o país da pobreza?

    MN – Através de um intenso trabalho político para estreitar parcerias internacionais estratégicas, que tragam novos investimentos ao país. Com esses investimentos, poderemos dar um arranque à economia. Pela nossa Constituição, o Presidente não é o Executivo, mas entendo que deve ter a obrigação de trabalhar para garantir o diálogo com as instituições, para que se cumpram os compromissos de desenvolvimento do país.

    JA – As mulheres africanas estão cada vez mais presentes em cargos de responsabilidade. Essa é uma das razões da sua candidatura?

    MN – As mulheres têm ocupado espaços importantes em todo o mundo, porque as sociedades estão mais maduras, democráticas e menos preconceituosas. Vejo isso com um olhar positivo. É também um dos motivos que me encorajam nesta luta.

    JA – Acredita que a sociedade são-tomense está preparada para ter uma mulher como Presidente?

    MN – Sim. É preciso não esquecer que a primeira referência que temos é feminina. É a mãe que nos dá a vida e nos prepara para ela. Vejamos os casos da Alemanha, do Chile, da Libéria e do Brasil, por exemplo. Em todos os continentes as mulheres estão a pôr em prática governos competentes. Por que razão São Tomé e Príncipe não estaria também preparado para isso?

     

     

    Fonte: Jornal de Angola

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