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    “Caravana da Alternância” arrastou uma multidão “vibrante” pelas ruas de Luanda

    A campanha eleitoral está a transformar-se numa espécie de “o meu acto de massas tem mais milhares de pessoas do que o teu”. Seja como for, é inegável uma massiva adesão popular tanto em actos de massas do MPLA, o partido no poder como do maior partido da oposição, por estes dias, mais do que UNITA, antes Frente Patriótica Unida.

    A iniciativa de campanha foi grafada como a “caravana da alternância” e mobilizou milhares de luandeses, entre o Sambizana e a Nova Vida, passando pelo Porto de Luanda, Ilha do Cabo, cortando a capital pela Deolinda Rodrigues, seguindo para Talatona e acabando na Urbanização da Nova Vida, onde uma massa humana uniforme, onde pontuavam o vermelho e verde, mas também zungueiras com cestas à cabeça, ouvia os principais dirigentes da Frente Patriótica Unida, coordenada por Adalberto Costa Júnior.

    O presidente da UNITA, enquadrado por uma multidão que se estendia pela estrada e que se pendurava nos prédios vizinhos, sublinhou que a jornada na capital foi, acima de tudo, a demonstração de que “as eleições são uma festa” e que a Luanda foi a demonstração dessa festa com a sua capacidade de “vibrar à nossa passagem”, e o ambiente dá-lhe razão: cidade saiu à rua para ver passar a “caravana da alternância”.

    No seu discurso político, mais breve do que habitualmente, Adalberto Costa Júnior, em eco com a multidão, continua a apelar a eleições justas e transparentes, e pede para que se corrija urgentemente os erros que estão a pôr em causa o processo eleitoral.

    Dirigiu-se aos juízes do Tribunal Constitucional e ao presidente da CNE para que “corrijam os erros”, que cumpra a lei e que façam publicar os cadernos eleitorais, o que, e justamente de acordo com a lei, devia ter sido publicitados 30 dias antes das eleições. “A CNE não divulgou os cadernos eleitorais e isso é fraude”, sublinhou o presidente da UNITA.

    O incumprimento da lei estende-se, de acordo com Costa Júnior, à mais diversas instituições do Estado, que não cumprem ou ignoram as leis, pondo em causa a própria legitimidade do Governo.

    Adalberto Costa Júnior insiste em que se devem expurgar os mortos das listas e pede que o ministro da Administração do Território seja responsabilizado, e adiantou que vai dar entrada de uma acção judicial contra o Ministério da Administração do Território pela “condução do processo eleitoral”, que favorece, de forma evidente, o partido no poder,

    Os órgãos de comunicação social continuam a ser um dos temas da campanha para Adalberto Costa Júnior, – aliás, foram o tema desta passeata que protestou contra a falta de igualdade de oportunidades nos media públicos – e reivindica a necessidade de contraditório e chamou à atenção para a manipulação que a TPA fez do recente documento (uma resolução), assinado por três senadores do Partido Democrata e apresentado para debate e votação no Comité de Relações Exteriores.

    O líder da UNITA e da FPU voltou a garantir que nenhuma estrutura do Estado deve ficar preocupada com a alternância, e dirigiu-se especialmente à Polícia Nacional, as Forças Amadas e a Segurança do Estado, a quem garantiu a continuidade das funções enquanto instituições republicanas.

    “Eles (o MPLA) levam pessoas em autocarros do Estado cheios, mas vocês estão aqui, pelos vossos próprios meios, é essa a diferença”, fez questão de sublinhar Adalberto Costa Júnior.

    No final, apelou ao voto, pediu aos eleitores para “não ficarem em casa” no dia 24 de Agosto.

    Entretanto, a televisão pública de Angola, a TPA, e apesar da acção da UNITA ter decorrido na capital, ignorou o facto no seu principal jornal, não houve qualquer referência à passeata da “caravana da alternância”.

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