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    Bolsonaro entregará passaporte após operação da PF por tentativa de golpe

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vai entregar seu passaporte às autoridades, depois que a Polícia Federal (PF) lançou, nesta quinta-feira (8), uma operação contra vários de seus aliados por uma “tentativa de golpe de Estado” que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

    Esta é uma investigação sobre um suposto complô que teria começado antes das eleições presidenciais de 2022, nas quais Bolsonaro perdeu por estreita margem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    A PF anunciou pouco antes ter desencadeado uma operação contra dezenas de pessoas, com medidas como a “entrega de passaportes em até 24 horas” para impedir que saiam do país e a “suspensão do exercício de funções públicas”.

    Os agentes cumprem 33 mandados de busca e quatro de prisão preventiva, em dez estados, para “apurar organização criminosa que atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder”.

    “Em cumprimento às decisões de hoje”, Bolsonaro “entregará o passaporte às autoridades competentes”, confirmou seu assessor e advogado Fabio Wajngarten na rede social X.

    – Quatro generais na mira –

    Ordenada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, a operação envolve quatro generais, incluindo Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice-presidente de Bolsonaro, e Augusto Heleno, ex-ministro do gabinete de Segurança Institucional.

    Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro, também foi alvo da operação policial.

    Até agora há três pessoas presas, segundo a imprensa: um ex-assessor de assuntos internacionais de Bolsonaro, Filipe Martins, e dois militares do Exército.

    De acordo com a PF, os investigados disseminaram “a ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital”.

    – De informações falsas ao golpe –

    Primeiro, espalharam informações falsas sobre o sistema de votação eletrônica, acrescentou a PF. Por este fato, Bolsonaro foi declarado inelegível em junho do ano passado pelo período de oito anos.

    Depois, os investigados “colocaram em execução um plano para subverter o Estado Democrático de Direito, com o objetivo de impedir a posse do governo legitimamente eleito, mantendo o então presidente Jair Bolsonaro no poder”, afirmou a decisão judicial de Moraes.

    Os suspeitos esperavam ter sucesso nas suas ações durante os últimos dias de 2022 e início de 2023 “principalmente quando se desencadearam os atos golpistas do dia 08 de janeiro”, acrescentou o ministro no texto de mais de cem páginas.

    Bolsonaro é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de instigar a invasão das sedes dos Três Poderes em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, uma semana depois da posse de Lula.

    Nesse dia, milhares de bolsonaristas invadiram e saquearam o Palácio do Planalto e os prédios do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal para pedir uma intervenção militar e retirar Lula do poder.

    – Acusações de Lula –

    Lula pediu, nesta quinta-feira, que “seja aplicado o rigor da lei”. Embora tenha defendido a presunção de inocência de Bolsonaro, acusou o ex-presidente de ter “participado da construção dessa tentativa de golpe”.

    “Queremos saber quem financiou (os atos) para que a gente nunca mais permita que aconteça o ato que aconteceu no dia 8 de janeiro”, acrescentou, em entrevista à rádio local Itatiaia.

    Das 2.170 pessoas presas pelos atos de 8 de janeiro, até agora 30 foram condenadas por crimes como golpe de Estado, com penas de até 17 anos de prisão. Um total de 66 permanecem presas.

    Em janeiro, o filho do ex-presidente, Carlos Bolsonaro (Republicanos), foi alvo de outra grande operação da PF, relacionada a um suposto plano de espionagem ilegal a favor de seu pai quando este estava no poder (2019-2022).

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    FonteAFP

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