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    Boeing Confessa Conspiração para Enganar o Governo dos EUA

    A gigante da aviação Boeing e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) chegaram recentemente a um acordo que tem gerado muita controvérsia. Este acordo surge na sequência de dois acidentes fatais envolvendo o modelo 737 Max, que resultaram na morte de 346 pessoas em 2018 e 2019. A Boeing concordou em declarar-se culpada de conspiração para defraudar o governo dos EUA, mas muitos questionam se as penalidades são suficientes para fazer justiça às vítimas.

    Os acidentes ocorreram em circunstâncias trágicas e levantaram sérias questões sobre a segurança e a transparência da Boeing. Em ambos os casos, o sistema de aumento das características de manobra (MCAS) foi identificado como o ponto de falha. Este sistema foi projetado para melhorar a estabilidade do avião, mas acabou por ser uma das causas principais dos acidentes.

    O Acordo Inicial de 2021

    Em 2021, a Boeing já tinha chegado a um acordo com o DOJ, comprometendo-se a pagar $2,5 mil milhões em multas e compensações. Este valor incluía $1,77 mil milhões para os clientes da Boeing, $243,6 milhões em multas e $500 milhões para um fundo de vítimas de acidentes. Além disso, a empresa prometeu implementar mudanças significativas na segurança e não se envolver em qualquer má conduta durante três anos.

    Violações e Novo Acordo

    No entanto, em maio de 2023, o DOJ anunciou que a Boeing tinha violado o acordo de 2021. Apenas quatro meses antes, um painel de cabine de um voo da Alaska Airlines tinha-se soltado a 16.000 pés de altitude, evidenciando falhas contínuas na segurança. Em resposta, o DOJ ofereceu à Boeing um novo acordo em 30 de junho de 2023, dando-lhe uma semana para aceitar ou enfrentar um julgamento.

    Se o novo acordo for aprovado pelo tribunal, a Boeing terá de pagar uma multa de $487,2 milhões. Parte deste valor poderá ser coberto pelos pagamentos feitos no acordo original. Além disso, a empresa será obrigada a investir pelo menos $455 milhões em segurança e conformidade nos próximos três anos, sob a supervisão de um monitor externo nomeado pelo DOJ.

    Críticas ao Acordo

    O novo acordo tem sido alvo de críticas severas, especialmente por parte das famílias das vítimas. Paul Cassell, advogado que representa algumas dessas famílias, afirmou que o acordo “não reconhece que, devido à conspiração da Boeing, 346 pessoas morreram”. Ele acrescentou que, através de manobras jurídicas, as consequências mortais dos crimes da Boeing estão a ser ocultadas.

    Se aprovado, este será o primeiro novo crime grave da Boeing em décadas. A empresa já enfrenta uma perda significativa de confiança por parte do público e dos reguladores. A implementação das mudanças prometidas será crucial para restaurar a sua reputação e garantir a segurança dos seus futuros voos.

    Por Tiago Carvalho

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