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    BNA aponta “excessiva consultoria externa” na banca comercial

    O Banco Nacional de Angola (BNA) assumiu esta quarta-feira que existe uma “excessiva dependência” de consultores externos no sistema bancário angolano, afirmando que “tenciona reduzir o impacto destes” no sistema financeiro, “em benefício dos angolanos”.

    De acordo com a Lusa, em declarações esta quarta-feira aos jornalistas, o vice-governador do BNA, Rui Mingueis, referiu que o recurso à consultoria externa, sobretudo de provedores para serviços de novas tecnologias, na banca angolana começou depois da abertura da área financeira ao setor privado, perspetivando a redução da atual dependência.

    O que nós pretendemos não é reduzir a consultoria externa, mas sim o seu impacto e, tanto quanto possível, trazer especialistas angolanos para o setor da consultoria nos sistemas de tecnologias de informação”, disse.

    “É um imperativo, não só económico e financeiro, mas de equidade nacional. Temos de garantir que parte dos rendimentos gerados fiquem na nossa família e isso passa também pela sensibilização das empresas angolanas de publicitarem os seus produtos e serviços”, apontou.

    Falando à margem da Conferência sobre Tecnologias de Informação para o Sistema Financeiro Angolano, que decorreu em Luanda, Rui Mingueis defendeu que o país tem consultores nesse domínio, mas que muitos dos bancos continuam a recorrer ao exterior.

    “Compramos muitas soluções já produzidas. Existem, naturalmente, algumas soluções que também são de caráter global, utilizadas em vários países, e isso provoca um ciclo que obriga que haja recurso à consultoria externa”, afirmou.

    Daí a necessidade, frisou, de “inverter a situação a favor dos angolanos”.

    Na parte inicial da conferência, promovida pelo banco central angolano, no Museu da Moeda, o diretor do departamento de Tecnologias de Informação do BNA, Marcelino Hiyelekwa, confirmou que existe um “excessivo recurso” da banca angolana à consultora externa.

    Aludindo a um estudo, Marcelino Hiyelekwa, deu conta, por exemplo, que “68% dos bancos angolanos gostariam de trabalhar com provedores tecnológicos nacionais“, mas que ainda “persiste a falta de confiança na qualidade do serviço por eles prestado”.

    Em relação o tema da conferência, Rui Mingueis referiu que a reflexão surge devido à evolução permanente das novas tecnologias de informação e comunicação, sublinhando que um dos maiores desafios do sistema é o da “inclusão financeira”.

    “É preocupação permanente do banco central, mas também uma preocupação dos restantes operadores do sistema, pelo facto de termos ainda uma pouca densidade de utilizadores do sistema financeiro e a inclusão financeira é um instrumento importantíssimo no combate a pobreza e a desigualdade social”, adiantou.

    A Autonomia Tecnológica do Sistema Financeiro Angolano, Desenvolvimento de Competências – Ações e Fatores Críticos de Sucesso foram os dois painéis temáticos da conferência.

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