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    Beijos impossíveis

    Barack Obama, Presidente americano, beija o homólogo chinês Hu Jintao

    A marca italiana de vestuário Benetton ficou conhecida por criar campanhas publicitárias polémicas nos anos 90. Quem não se recorda das fotos em que Oliviero Toscani retratava um doente com sida, já perto da morte, rodeado pela família? Ou aquela em que um padre e uma freira se beijam na boca? Ou ainda as mensagens poderosas contra o racismo. No mês passado, a Benetton voltou a estar nas “bocas do mundo” com o lançamento da campanha Unhate (Deixe de odiar), uma acção de protesto contra a “cultura do ódio”, desenvolvida pela fundação com o mesmo nome, financiada pelo grupo de Luciano Benetton.

    Nas fotomontagens — ao todo, são seis — estão, por exemplo, o Presidente americano Barack Obama, que aparece a beijar Hugo Chávez, Presidente da Venezuela; e Hu Jintao, Presidente da China. Ou o papa Bento XVI, que beija Ahmed Mohamed el Tayeb, imã da mesquita de Al Azhar no Cairo. Ou ainda Mahmoud Abbas, líder palestiniano, a beijar Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita.

    Clique para ampliar a imagem
    Papa Bento XVI beija Ahmed Mohamed el Tayeb, imã da mesquita de Al Azhar, no Cairo

    Segundo a Benetton, o objectivo da campanha foi promover “uma mensagem simples e poderosa de tolerância e paz”.  Há também um filme, que retrata o frágil equilíbrio entre o que leva ao ódio e as razões para amar. E para estimular a participação do público, o site da campanha também inclui o Kiss Wall (http://kisswall.benetton.com/), onde os utilizadores podem fazer o upload de imagens.

    Claro que nem toda a gente gostou da campanha. Alguns aparentemente odiaram-na (ou seja, o objectivo inverso ao pretendido). Um deles foi a Igreja Católica que, revoltada esclareceu em comunicado que o Vaticano considerou uma “falta de respeito, assim como ofensa aos sentimentos dos fiéis a utilização inaceitável da imagem do Santo Padre”. Nem a santa quadra apaziguou a polémica.

    Convenhamos que no fundo, no fundo, era mesmo isso que a Benetton pretendia. A marca que um dia cunhou o termo “todos diferentes, todos iguais” parece apostada em ser cada vez mais igual a si mesma. Ou seja, polémica o quanto (não) baste.

     

    Fonte: Exame

    Foto: Exame

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