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    Associação Angolana de Bancos • ABANC

    Amílcar Silva, presidente da ABANC. (Foto: D.R.)
    Amílcar Silva, presidente da ABANC.
    (Foto: D.R.)

    O presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC) salienta o facto de não ter havido um decréscimo na actividade bancária em 2012, dado que os depósitos e os créditos subiram acima do PIB. A julgar pelos dados do primeiro semestre, ele acredita que os resultados deste ano poderão melhorar ligeiramente.

    
Que apreciação faz dos resultados obtidos pela banca no ano passado?

    Globalmente, houve uma queda nos resultados, que não surpreende, se tivermos em conta três factores: a subida do crédito em mora em valores acentuados; as novas disposições estabelecidas pelo BNA que afectaram, de forma acrescida, as provisões a que os bancos ficam sujeitos; e a queda progressiva das taxas de juro, em função da taxa de inflação, bem como dos spreads de operações bancárias, fruto da concorrência que se vai tornando agressiva. O facto de ter havido uma retracção nos pagamentos do Estado também afectou a actividade de alguns bancos e, consequentemente, os seus resultados. Apesar disto, não houve decréscimo da actividade. Os depósitos e o crédito subiram acima do crescimento do PIB, bem como as operações cambiais que se situaram em níveis interessantes e mantiveram a solidez dos bancos.

    
O cenário poderá repetir-se em 2013?

    Durante o primeiro semestre deste ano, os resultados melhoraram, ainda que muito ligeiramente. Note-se que, neste período, voltou a haver um movimento de provisões elevado, acima do total registado em 2012.

    
Fazendo uma retrospectiva da evolução da economia angolana no ano passado, qual considera ter sido 
o acontecimento mais marcante?

    Não deixo de salientar três acontecimentos: a nova lei cambial para o sector petrolífero, com os reflexos positivos daí advenientes; a queda da taxa de inflação para um valor de um só dígito, pelo seu simbolismo e influência na actividade económica; e a legislação publicada pelo BNA, em quantidade e qualidade, modernizando o sistema bancário.

    Que aspectos gostaria de destacar 
na actividade da associação a que preside durante o último exercício?

    Creio que a ABANC desenvolveu um intenso e profícuo trabalho, enquanto parceiro do Estado, mormente do BNA, sobre a inserção da nova legislação no mercado. Tratou-se de um trabalho demonstrativo da maturidade dos bancos, facto que proporcionou uma enorme coesão entre eles em torno de assuntos tão importantes para a sua actividade.

    Além disso, o comportamento do sistema bancário em torno da implantação da nova lei cambial para o sector petrolífero, de elevada responsabilidade e profissionalismo, para o qual a ABANC também foi parceiro, contribuiu para um conhecimento mais abrangente sobre a capacidade dos bancos nacionais.

    Também neste período, a ABANC iniciou a elaboração do seu primeiro relatório, cobrindo a actividade bancária de 2007 a 2011, que irá prosseguir no documento que colmata uma lacuna que estava em aberto e cuja elaboração me parece muito bem conseguida.

    Como avalia a evolução do processo de inclusão financeira em Angola? Que papel têm tido as instituições financeiras neste processo?

    Trata-se, sem dúvida, de um projecto de elevada importância para o futuro da banca angolana. O BNA assumiu, de forma natural, a sua liderança. Mas foi secundado por um grupo de bancos, que tem conhecido uma adesão acima do esperado. Creio que, deste modo, a banca nacional está a contribuir para a promoção de uma cultura financeira, mais vincada, condutora de um relacionamento mais transparente entre as instituições financeiras e a sociedade.

    Como avalia o papel do sector 
no apoio ao empreendedorismo, nomeadamente ao programa 
Angola Investe?

    A banca continuará a constituir um instrumento privilegiado e essencial para o crescimento do país, na procura da melhoria de um ambiente económico mais favorável e que proporcione interesse aos investidores melhorando, concomitantemente, o acesso ao crédito e a sua remuneração. Desta forma, é aberto o espaço para uma participação mais elevada dos bancos na diversificação da economia. A procura de fontes alternativas de financiamento merecerá, por parte dos bancos, inusitado interesse, bem como a sua participação crescente e abrangente no financiamento ao Estado.

    
Sabemos que a ABANC analisa 
há vários anos a evolução 
da taxa de bancarização no 
país, um tema particularmente 
caro ao seu presidente. Como 
avalia os resultados já conseguidos até agora?

    Estamos neste momento a terminar, ao nível da ABANC, um trabalho credível sobre a actualização da taxa de bancarização, no seguimento daquele que fizemos em 2010. Apesar de ainda não estar concluído, os números já apurados, através das diversas variáveis ajustadas a um trabalho desta natureza, parecem ser surpreendentes. Apontam para um aumento considerável da taxa de bancarização em Angola, quando comparada com a do estudo concluído em 2010. Embora a percentagem ainda esteja aquém do necessário, são valores que detêm já uma grande importância para o futuro do sector.  (exameangola.com)  

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