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    Apelo dramático de Rajoy: “Há instituições que nem sequer se podem financiar”

    A taxa de juro a 10 anos associada à dívida espanhola voltou ontem a ultrapassar a barreira dos 7%. Um valor que, no caso da Grécia, Irlanda e Portugal, significou o ponto de retorno em direcção a um pedido de resgate. E, num discurso dramático, Mariano Rajoy veio alertar que já há instituições espanholas que não conseguem financiar-se.

    No passado dia 18 os juros espanhóis ascenderam aos 7%, pela primeira vez na história, chegando aos 7,158% e no dia seguinte atingiram os 7,042, mas desde essa data que os juros estavam abaixo desta ‘perigosa’ barreira psicológica. Agora voltaram a subir, precisamente no dia em que os líderes europeus se sentavam em Bruxelas para a sua terceira cimeira de 2012.

    “Tudo isto não serve para nada se não nos podemos financiar”, advertiu Rajoy ontem de manhã à chegada a Bruxelas para o encontro dos líderes do Partido Popular Europeu, que normalmente antecede as cimeiras europeias, O presidente do governo espanhol recordou que a Espanha aposta “em mais Europa por mais Europa, por uma maior união bancária, fiscal e económica e por uma maior integração dos mercados”. Rajoy salientou também que defende algumas medidas concretas, como a possibilidade do Banco Central Europeu poder financiar as pequenas e médias empresas, condição básica para a criação de emprego. Mas para Rajoy há uma questão urgente que carece de resposta imediata das instituições europeias: a sustentabilidade das dívidas de países como a Espanha e Itália. “Estamos a financiamo-nos a preços muito elevados e há muitas instituições públicas que nem sequer se podem financiar”, advertiu. “Este é um assunto capital. A União Europeia e a União Económica e Monetária têm que estar conscientes de que isto é mesmo assim e que é preciso tomar alguma decisão com carácter de urgência”,

    Mas Mariano Rajoy não se mostrou muito optimista de que algo venha a acontecer nesta cimeira ou a curto prazo. Para o presidente do governo espanhol, algumas medidas podem ser tomadas nesta cimeira, mas outras não.

    “A verdade é que a maior parte das decisões se tomam por unanimidade e isso complica as coisas”, advertiu. Entre as que não irão ser aprovadas está a possibilidade do empréstimo europeu para recapitalizar a banca espanhola ir directamente para as entidades financeiras sem intermediação do Estado. Um assunto em que Madrid perdeu completamente a guerra, na medida em que o dinheiro do resgate será entregue ao Estado, o que terá implicações não só na dívida espanhola como no défice do Estado. Rajoy, que foi um defensor acérrimo da entrega directa do resgate aos bancos, emendou ontem um pouco a mão e afirmou que essa solução tinha as suas vantagens, mas que também havia inconvenientes. Em todo o caso, o presidente do governo espanhol garantiu que apoiaria o projecto de União Bancária a médio prazo. Mas para Rajoy, não será nesta cimeira que o assunto será resolvido de uma forma definitiva.

    No almoço de ontem dos líderes do Partido Popular Europeu, na Academia Real em Bruxelas, participaram os 12 chefes de Estado e de governo,, incluindo a chanceler alemã Angela Merkel, que é o principal obstáculo em que tropeça a pretensão de Rajoy de que o Banco Central Europeu ou o fundo de resgate europeu comprem dívida espanhola para travar a pressão dos mercados e reduzir os juros proibitivos e alarmantes que andam na perigosa casa dos 7% há semanas.

    BANCA ATACA BRUXELAS E BERLIM O presidente da Associação Espanhola de Bancos, Miguel Martín, também aproveitoui o dia de ontem para disparar para todos os lados, em especial para os responsáveis europeus e, claro, Angela Merkel. O patrão dos banqueiros espanhóis assegurou que uma ruptura da zona euro “não só é possível como mesmo provável” perante o que se está a passar com a crise das dívidas soberanas e a falta de resposta adequada das autoridades europeias. “Bruxelas diz-nos que temos de estar felizes porque a recessão económica é suave. Mas a realidade é que não existem directrizes claras para deixar para trás os problemas”, afirmou Martín durante uma intervenção em Madrid, na Universidade Menéndez Pelayo. Um discurso muito crítico com Bruxelas e Berlim, que hoje marca o passo de tudo o que se passa na zona euro.

    “Alguns querem dividir a Europa em bons e maus num momento em que a unidade é imprescindível. E mesmo os que neste momento têm um superavit nas suas contas são tão culpados dos erros de organização da Europa como os que apresentam défices nas suas contas públicas”, atacou o patrão dos banqueiros espanhóis, que também defendeu o fecho puro e simples dos bancos, como o Bankia, que estão manifestamente falidos e a contaminar o resto do sistema financeiro espanhol.

    E assim vai o ambiente em Madrid, em que todos ralham e pedem apoio urgente a Bruxelas e a Angela Merkel.

    FONTE: IONLINE

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