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    Angola e Moçambique são os países-alvo dos voluntários portugueses

    Antes de partirem, voluntários devem ter conhecimento do terreno, recomenda estudo.
    Os países-alvo da acção do voluntariado missionário português são preferencialmente os países africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), destacando-se um “maior investimento” em Angola e Moçambique, segundo o estudo Voluntariado: missão e dádiva.

    O estudo, promovido pela Fundação Fé e Cooperação (FEC), em parceria com a Escola Superior de Educação Paula Frassinetti, e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, analisou os perfis das instituições que promovem o voluntariado, tendo recolhido dados junto de 57 organizações e obtido 37 respostas.

    A maioria são mulheres (75%), jovens (cerca de 80%), solteiros e com curso superior (70%). A esmagadora maioria professa uma religião. O estudo analisa as duas últimas décadas, que ficaram marcadas pela partida de quatro mil voluntários.

    Os jovens entre os 26 e os 35 anos são os que mais aderem (43%), seguindo-se o grupo até aos 25 anos (38%). Embora em número comparativamente muito menor, há voluntários a partirem em missão com idades muito mais avançadas, refere o estudo.

    Os distritos de residência dos voluntários são bastante diversificados, mas o trabalho realça “uma predominância” dos distritos de Lisboa, Aveiro, Porto e Braga. Relativamente à situação profissional dos voluntários, o documento refere que, embora haja desempregados ou com emprego temporário, por norma são estudantes ou detentores de um emprego estável. Cerca de 62% afirmam gozar de autonomia financeira. Mais de metade exerce profissões de especialistas de actividades intelectuais e científicas, sendo grande parte deles professores, psicólogos e profissionais de saúde.

    Segundo as conclusões do estudo, há um maior investimento destas acções em Moçambique (22) e Angola (15). Nos outros países, regista-se um equilíbrio de acções em curso que rondam a dezena em cada um, incluindo o Brasil, além de nove acções em outros tantos países.

    Relativamente às instituições que proporcionam voluntariado missionário, o trabalho refere que a sua natureza é “muito variada”, embora quase 75% sejam de origem católica: congregações religiosas (nove), organizações não-governamentais para o desenvolvimento (nove), IPSS ou instituições diocesanas (seis).

    As estratégias privilegiadas de captação dos voluntários confinam-se às iniciativas espontâneas (21 respostas) e através da pastoral organizada (19). Contudo, os familiares e amigos (12) e a publicidade (11) também surgem como formas de divulgação.

    Quase todas as instituições declaram que a origem preferencial dos recursos financeiros captados para o voluntariado missionário é a angariação de fundos (31 respostas) e pouco menos de metade afirma que também recebe doações (17). Apenas duas organizações referem as dotações oficiais e oito assinalam outras origens.

    Educação em primeiro lugar

    A esmagadora maioria das instituições actua na área da educação/alfabetização/formação e “o impacto desta actuação” é o aspecto mais apontado pelas organizações, que dão alguns exemplos: redução da taxa de abandono escolar e maior sucesso escolar, iniciativas para criação de creches e a capacitação dos seus educadores.

    O estudo constatou que dois terços das instituições não conseguiram “identificar, quantificar ou descrever” o impacto da acção dos voluntários no terreno com resultados de curto (até 1 ano), médio (até 3 anos) e longo (mais de 3 anos) prazo.

    Os autores do trabalho recomendam que as instituições estabeleçam “objectivos claros e indicadores de concretização transparentes (nas diversas dimensões pessoais e sociais da intervenção) para que possa haver uma avaliação dos resultados que introduza a consciência de realização e satisfação em todas as partes”.

    As conclusões do estudo indicam que os voluntários são “pessoas qualificadas e motivadas, mas que nem sempre a formação preparatória que antecede o envio vai ao encontro das necessidades do terreno de intervenção, o que pode ter como consequência que as competências técnicas dos voluntários não sejam cabalmente aproveitadas nos projectos no terreno”.

    FONTE: Público

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