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    Alzheimer doença ainda desconhecida para muitos

    No dia em que Sónia Brasão recebeu o diagnóstico definitivo sobre a doença do pai, então com 51 anos, a sua incredulidade não teve limites: “Alzheimer? Mas o meu pai é tão novo e saudável para ter essa doença estranha que não tem cura”.

    António Brasão, actualmente com 56 anos, era professor de língua portuguesa e muito no princípio da doença falava, andava e realizava todas as funções normais. Desconhecedor da patologia e dos seus sintomas, ignorou os primeiros sinais, como o esquecimento fácil e as insónias, ao mesmo tempo que, algumas vezes durante a noite, teve pequenos Acidentes Vascular Cerebrais (AVC), também conhecidos por tromboses.

    Como vivia sozinho e distante dos filhos, procurou esconder os sinais, medicando-se, ao longo de três anos. Como consequência, o quadro agravou-se e os filhos acabaram por se aperceber que necessitava de ajuda médica urgente.

    A filha Domingas, que não quis ser fotografada, contou ao Jornal de Angola que quando o pai os visitava, aparecia um pouco sujo, com uma aparência desleixada e sorria muito e sem grandes motivos, esquecendo-se amiúde dos nomes das pessoas.

    “Como o quadro dele era mesmo preocupante, levámo-lo ao hospital militar, onde fez várias consultas e até mesmo TACs, mas nunca nos disseram que era Alzheimer. Diziam apenas que ele estava a ter aqueles problemas por causa da trombose”.

    Com o passar do tempo, e apesar da medicação, António Brasão piorou progressivamente. Caminhava e falava muito devagar, não conseguia controlar a urina nem as fezes e irritava-se com facilidade. Por isso, os filhos decidiram levá-lo a um especialista em neurologia e, depois de várias outras consultas, foi-lhe diagnosticado Alzheimer, já em estado avançado. A reacção de toda a família foi de perplexidade e desespero, porque além de a doença não ter cura, o tratamento é caro e para o resto da vida, destinando-se apenas a ir atenuando algumas crises.

    Hoje, António Brasão, que ainda não tem 60 anos, perdeu a fala, não anda, baba-se, e faz todas as necessidades fisiológicas onde estiver sentado ou deitado. Segundo os médicos, vai ser assim até ao seu último suspiro, porque foi levado demasiado tarde à consulta da especialidade e, nesta fase da doença, já não há muito a fazer, além do carinho extremo e atenção dos filhos, que com zelo e dedicação cuidam dele como se fosse um bebé.

    Fonte: JA

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