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    Activistas e académicos querem uma frente unida da sociedade civil para impulsionar reformas em Angola

    A ideia que foi lançada em Luanda à margem de uma homenagem feita a alguns políticos e activistas angolanos, tem como objectivo instituir na sociedade civil uma consciência cidadã capaz de provocar melhorias no sistema de governação e a impulsionar a jovem democracia no país, segundo defendeu o activista Luís Araújo.

    “Nós temos que ter o cuidado de conduzir este processo, colocar as nossas exigências em relação à constituição deste grande movimento de libertação da sociedade angolana. Nós temos de andar juntos e estabelecer regras de igualdade para conduzirmos um processo de luta para realização da nossa plena democracia”, esclareceu o antigo coordenador da SOS Habitat.

    Os partidos políticos não podem ser os únicos com a responsabilidade de transformar o país, defende o jurista e activista Fernando Macedo para quem “uma organização o mais depressa possível da sociedade civil” vai ajudar a pôr fim a este quadro, segundo o académico, resultante de eleições fraudulentas. “Nós temos um grande problema no país, na minha modesta maneira de ver e, este problema tem a ver com eleições sistematicamente batotadas. Se queremos mudança, nós sociedade civil e partidos políticos, temos que nos organizar o mais depressa possível para pormos fim às eleições batotadas em Angola”, referiu.

    Para o docente universitário e activista cívico, Scoth Kambolo, o cenário social que se vive no país é triste, ressaltando que existe uma falta de compromisso moral dos políticos que governam o país em relação as necessidades prementes da população.

    Do ponto de vista social, Angola continua em guerra, diz o activista para quem um dos indicadores de desenvolvimento é o tratamento que se dá às crianças, às pessoas com necessidades especiais e às artes.

    “Há um fosso desmedido entre a paz e o desenvolvimento social em Angola. Há uma minoria que açambarcou quase tudo e uma maioria que continua a viver na miséria, continuando a lutar para o mínimo”, avançou o também coordenador da Plataforma Cazenga em Acção.

    A luta pela realização plena da democracia em Angola é espinhosa, segundo fez saber a activista Rosa Conde que lamenta o facto de as mulheres continuarem a ver os seus espaços limitados por falta de igualdade de oportunidades.

    A activista Rosa Conde falava à margem de uma cerimónia de homenagem “a alguns filhos de Angola”, realizada pelo Observatório de Imprensa em Luanda. Para além de Rosa Conde, foram também homenageados pela bravura e coragem em prol da cidadania, o académico e politólogo Nelson Pestana Bonavena, o líder do partido Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, o advogado Luís do Nascimento, o jurista e académico Fernando Macedo, o activista Luís Araújo, o jornalista William Tonet, os activistas Nito Alves e Laurinda Gouveia.

    Domingos da Cruz, coordenador do Observatório de Imprensa referiu na ocasião que tais figuras constituem partes-chave na luta pela cidadania em Angola e, como tal devem ser homenageadas enquanto vivem.

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