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    Acontecimentos na Líbia considerados como mudanças no sistema internacional

    Analista da política internacional, Mário Pinto de Andrade

    Luanda – O analista de política internacional,  Mário Pinto de Andrade, considerou hoje (quarta-feira) em Luanda, que os acontecimentos que estão a ocorrer na Líbia é uma mudança de paradigmas no sistema internacional à favor das grandes potências, numa clara alusão a França e a Grã-Bretanha.

    Em entrevista à Angop, o académico angolano sustentou que a França e outras grandes potências aproveitarem-se de uma pequena rebelião surgida na cidade de Sirte,  encorajada pelos acontecimentos da Tunísia e do Egipto, para desencadear acções que impediram o governo líbio, que era legítimo, de exercer o seu direito de soberania.

    Nesse contexto, acrescentou, utilizaram o direito de intervenção em nome de um pseudo direito de defesa dos interesses do povo líbio, tendo essa ingerência sido caucionada pela Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU “que criou à tal Zona de Exclusão Aérea”.

    No entanto, a mesma resolução em nenhum momento definiu nem de facto, nem de júri quais eram, concretamente, as competências atribuídas à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), instituição militar que está envolvida na guerra na Líbia.

    “A Resolução da ONU foi ambígua, ao permitir que as grandes potências aproveitassem disso, pois o conceito de Exclusão Aérea passou a ser o de bombardear todo o território líbio fundamentalmente as infra-estruturas militares”, não poupando os civis, lamentou Mário Pinto de Andrade.

    Sublinhou que se for contabilizado o número de mortos civis, pode-se facilmente concluir que houve uma invasão a esse território.

    Para o também Reitor da Universidade Lusíada de Angola, a União Africana (UA) que continua a manifestar uma certa resistência em reconhecer o Conselho Nacional de Transição (CNT), deve manter o seu plano que é o da democratização da Líbia.

    Tendo acrescentado que a questão da democratização da Líbia ainda não foi abordada com a profundidade, embora haja neste momento o reconhecimento do CNT (órgão político dos rebeldes) pela maior parte dos países do mundo, incluindo árabes que consideram à saída definitiva de Kadhafi do xadrez político desse país do Norte de África como consumada.

    ” O que é certo agora, é que todos os esforços devem se concentrar para exigir o CNT que apresente de facto um plano de um ano ou dois anos sobre a democratização da Líbia, que passa pela criação de partidos políticos e de uma sociedade civil forte”, augurou.

    A aprovação de uma nova Constituição e a realização de eleições livres supervisionadas pelas Nações Unidas, UA e a Liga Árabe devem constar, segundo defende o analista, entre as medidas  para a estabilização deste pais africano do Magreb.

    Fonte: Angop

    Fotografia; Angop

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