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    “A UNITA tem de se esforçar” na reconciliação com o passado

    Enquanto decorrem as exéquias de dois ex-dirigentes da UNITA, familiares de membros assassinados alegadamente a mando de Savimbi pedem ao partido que explique as mortes. UNITA diz que não é o momento oportuno.

    A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) realiza, este sábado (18.02), na província do Huambo, o funeral do antigo secretário-geral do partido, Adolosi Mango Paulo Alicerces. No domingo vai a enterrar Elias Salupeto Pena, sobrinho do líder fundador do partido, Jonas Savimbi.

    Ambos foram mortos no chamado “massacre de outubro”, depois das primeiras eleições multipartidárias no país, em 1992. Em três dias, milhares de apoiantes da UNITA e da Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA) foram assassinados. O Governo angolano entregou os restos mortais no âmbito do Plano de Acção em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos, em novembro de 2021.

    Para Dinho Chingunji, o gesto do MPLA devia agora incentivar a UNITA a reconciliar-se com o seu próprio passado sombrio. Ele é o sobrinho de Pedro Ngueve Jonatão Chingunji “Tito”, antigo secretário de Relações Exteriores da UNITA, visto pela última vez no início de 1991 e morto em circunstâncias desconhecidas, alegadamente a mando de Savimbi.

    “Da mesma forma que eles [da UNITA] louvam esta iniciativa do presidente do MPLA, que nos entreguem as ossadas para podermos também enterrar dignamente os nossos entes queridos”, apela Chingunji, que lidera o projeto político Njango.

    Exéquias de ex-dirigentes da UNITA começaram em Luanda, na quinta-feira
    (DR)

    À espera de uma explicação
    Há mais famílias que continuam a exigir explicações e um pedido de desculpas da UNITA. Uma delas é a de Jorge Ornelas Isaac Sangumba, ex-quadro do partido responsável pela campanha de aceitação do “galo negro” na Organização da Unidade Africana (OUA), que foi morto em 1982.

    Segundo Dinho Chingunji, alguns dos envolvidos nessas mortes ainda estão em vida e poderiam indicar os locais onde estarão os restos mortais. “Alguns membros das nossas famílias, que tiveram a sorte de sobreviver, conhecem essas pessoas e viram-nas a irem para as prisões subterrâneas, onde estavam cativos.”

    Líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, homenageia mártires do partido
    (DR)

    UNITA adia debate sobre o assunto
    O secretário-geral da UNITA, Álvaro Chikwamanga Daniel, afirma, no entanto, que é extemporâneo falar agora sobre este tema: “Se ele tem as suas razões, que as fundamente. Estamos aqui simplesmente para honrar e homenagear aqueles nossos heróis que vinham construir a paz”, assinala Daniel em declarações à DW África.

    “As razões que outras pessoas evocam não fazem parte do contexto que comemoramos. Deixemos isso para uma próxima oportunidade”, acrescenta.

    Mas o historiador Donito Carlos salienta que é preciso ouvir as reivindicações das famílias e apela à UNITA que resolva o problema interno o mais depressa possível.

    “A UNITA tem de se esforçar para que, não só a família de Tito Chingunji, mas também de Wilson dos Santos, do general Bock e de tantas outras figuras que pertenceram à UNITA se possam reconciliar com a história interna do partido”, defende.

    Aprender com o passado
    As exéquias dos mártires da UNITA Adolosi Mango Paulo Alicerces e Elias Salupeto Pena começaram na quinta-feira (17.02), em Luanda.

    Isaac Pena “Kamy”, irmão mais novo de Salupeto Pena, pede que os acontecimentos de 1992 não se voltem a repetir. “Não temos como não aceitar o compromisso com a reconciliação nacional”, salienta.

    Segundo o político Abel Chivukuvuku, o “massacre de outubro” ensina-nos que há “uma tendência crónica de optar pelo uso da violência sem o mínimo de consideração pelas relações humanas desenvolvidas ao longo do trabalho.” Mas é preciso aprender com o passado para não cair nos mesmos erros, refere Chivukuvuku, um dos sobreviventes de 1992.

    Tendo em vista as eleições gerais de agosto, o deputado Ali Mango defende mais diálogo entre os dois principais partidos angolanos, para se evitarem conflitos.

    “Foi justamente por causa da falta de diálogo, da falta de transparência e confiança entre as diferentes forças políticas, que houve o massacre, que até hoje os angolanos pagam muito caro”, afirma o filho do ex-secretário-geral da UNITA, Adolosi Mango Paulo Alicerces.

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    FonteDW

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