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    A um ano das eleições, especialistas analisam se o regime é democrático ou ditatorial

    Angola integra o grupo dos 57 países do mundo considerados autoritários, de acordo com o Índice Mundial de Democracia de 2021, produzido pela The Economist Intelligence Unit, do Reino Unido.

    Como a VOA informou na altura, o país encontra-se juntamente com a Coreia do Norte, Zimbabwe, República Democrática do Congo, Guiné-Bissau e Moçambique, entre outros.

    A um ano das eleições, a VOA falou com analistas em Luanda, havendo quem concorde e quem discorde da classificação daquela prestigiada revista.

    Aleixo Sobrinho, especialista do Instituto de Desenvolvimento e Democracia (IDD), considera que o país piorou nos últimos anos e que o nível da ditadura não difere muito da que se vive na Coreia do Norte.

    “Há uma clara regressão de um país que tinha alcançado alguns ganhos neste campo, nos últimos quatro anos e coincidentemente no consulado do Presidente João Lourenço a população sofre na carne e nos ossos o resultado desta regressão, o nível de ditadura entre nós não difere muito da que se vive na Coreia do Norte, onde as pessoas são obrigadas a serem submissas ao regime”, defende Sobrinho.

    Jorge Neto, director do jornal Estado News e analista político considera que a falta de democracia no país é transversal.

    “Se usas a suposta liberdade que existe és automaticamente ostracizado e mesmo morto, há ditadura no MPLA, há ditadura na UNITA e em todos os partidos, se considerarmos que o partido que governa Angola não é democrático, logo não pode haver democracia no país”, sustenta

    Posição contrária tem o economista José Sumbo para quem é um exagero considerar Angola um país autoritário.

    “Há algumas aberturas em termos de reuniões, diálogo, etc., ainda não é o ideal mas considerar autoritarismo em Angola é um exagero, eu acredito que já não há autoritarismo no país, mas com o esforço de todos podemos melhorar ainda mais”, defende.

    Por seu lado o sociólogo e professor universitário João Lukombo Nza Tuzola diz que os actores e a cultura comunista não mudaram, embora teoricamente no discurso há uma intenção democrática.

    “A cultura ditatorial não mudou de facto, mudou sim o discurso, a cultura do debate, do contraditório ainda encontra resistência, o poder centralizado, a não realização das eleições autárquicas que traria maior inclusão entra em contradição com o discurso feito, a prática diz que continuamos em 1975”, diz João Lukombo Nza Tuzola.

    De acordo com o Índice Mundial de Democracia da The Economist Intteligence Unit de 2021, referente ao ano passado, na escala de 0 a 10, apenas os países com oito pontos e mais são considerados uma democracia plena, entre seis e oito são democracias imperfeitas, quatro a seis pontos constituem regimes híbridos e menos de quatro pontos enquadram regimes autoritários.

    Entre os lusófonos em África, Cabo Verde, segundo no continente e 32 a nível mundial, obteve 7.65 pontos, Angola, 24 em África e 117 no geral, conseguiu 3.66 pontos, Moçambique, 26 no continente e 122 a nível global, acumulou 3.51 pontos e Guiné-Bissau, 38 em África e 147 no geral, não foi além de 2.63 pontos.

    São Tomé e Príncipe não foi analisado.

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    FonteVoA

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