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    A classificação de crédito do governo dos Estados Unidos é rebaixada pela Fitch Ratings

    A Fitch Ratings tornou-se ontem na segunda grande agência de rating, depois da Standard & Poor’s em 2011, a retirar dos Estados Unidos a sua premiada classificação de crédito AAA.

    A Fitch cortou um degrau de AAA para AA+ e citou os riscos de deterioração fiscal ao longo do próximo ano e as negociações no Congresso sobre o teto da dívida do país. A ação da Fitch Ratings ocorre semanas depois que o presidente Biden e os republicanos do Congresso estiveram a beira de uma crise histórica sobre o crescente peso da dívida e a necessidade de aumentar o teto legal da dívida do governo federal.

    O rebaixamento da Fitch é uma evidência de que conflitos políticos cada vez mais frequentes sobre as finanças do governo dos EUA estão a ensombrar as perspetivas económicas dos Estados Unidos e a afetar o mercado global de US$ 25 trilhões de títulos do Tesouro.

    Segundo a Fitch as finanças públicas dos Estados Unidos provavelmente se deteriorarão nos próximos três anos, devido aos cortes de impostos, novas iniciativas de gastos, choques económicos e repetidos impasses políticos.

    O evento em si não foi um choque, já que a Fitch alertou em junho, depois que a crise do teto da dívida foi resolvida.

    Mas o timing pegou alguns analistas no mercado de surpresa.

    Os investidores responderam derrubando ações e comprando títulos do governo, o que empurrou o rendimento das notas do Tesouro dos EUA de 10 anos para 4,0%, enquanto o dólar parece frágil.

    Por enquanto, os investidores concordam que é improvável que o rebaixamento faça muito para mudar a demanda internacional por títulos do Tesouro ou por ações dos EUA, o que explica a reação muito silenciosa do mercado.

    Mas é um problema para a reputação do país e coloca a saúde das finanças públicas dos EUA no centro das atenções, um fator que vários observadores do mercado esperam que actue como um fator negativo do dólar no longo prazo.

    Um relatório de maio da Moody’s Analytics – uma unidade da agência de classificação Moody’s Investors Service, a única agência das três maiores agências de crédito que ainda tem uma classificação “Aaa” para o governo dos EUA – disse que um rebaixamento da dívida do Tesouro desencadearia uma cascata de implicações de crédito e rebaixamentos na dívida de muitos outras instituições.

    Houve alertas de agências de classificação, economistas, políticos e estrategistas de que os gastos do governo dos EUA relativos à arrecadação de impostos não são sustentáveis. A Fitch diz que espera que o déficit do governo dos EUA suba para 6,3% do PIB este ano, de 3,7% em 2022.

    O déficit federal atingiu US$ 1,39 trilhão nos primeiros nove meses do atual ano fiscal, um aumento de cerca de 170% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Tesouro aumentou esta semana a sua previsão de empréstimos para o trimestre atual para US$ 1 trilhão, bem acima dos US$ 733 bilhões previstos em maio.

    O rebaixamento da Fitch Ratings para a dívida do governo dos EUA provocou duras críticas de Washington.

    A secretária do Tesouro, Janet Yellen, chamou o rebaixamento de “arbitrário” e “desatualizado”. A economia mostrou recentemente sinais de resiliência e o limite da dívida acabou sendo suspenso, observou ela.

    Mohamed El-Erian , principal consultor econômico da Allianz SE e colunista da Bloomberg Opinion, disse que ficou “perplexo” com o momento do anúncio e previu que não exerceria muita influência sobre os investidores.

    O antigo secretário do Tesouro da administração Obama, Larry Summers, também criticou a decisão da Fitch chamando-a de “absurda e sem fundamento”.

    Embora o rebaixamento da dívida dos EUA pareça não ter efeitos imediatos no sentimento do mercado, certamente alimentará o debate político entre democratas e republicanos em vista das próximas eleições presidenciais em novembro de 2024.

    Os democratas no Congresso já culparam os republicanos por impedir o aumento do teto da dívida no início deste ano, criando uma situação de crise e pondo os Estados Unidos à beira do incumprimento, enquanto o Partido Republicano apontou para a agenda de gastos do presidente Joe Biden, apelidada de “Bidenomics”.

    Por Editor Económico
    Portal de Angola

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