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Esquema de cedências de cartões Visa na banca compromete política do BNA

Numa altura em que o banco central garante haver disponibilidade no mercado nacional de moeda estrangeiras para suprir necessidades dos agentes económicos, há trabalhadores dos bancos a cobrarem, além do valor da anuidade, dinheiro para libertar cartões Visa pré-pagos ou de créditos da rede Visa.

Uma rede de técnicos bancários de várias instituições do mercado nacional estão a cobrar, além do valor da anuidade, uma “gasosa” para atribuição de um cartão de crédito ou pré-pago da rede Visa com a justificação de que “persistem os problemas com as divisas”, soube o Expansão de várias denúncias de clientes dos bancos BAI, BFA, BPC e Millennium Atlântico.

Na prática, isto não passa de um mecanismo que os trabalhadores bancários encontraram para subtrair valores das operações de adesão aos Visa, além dos estabelecido na norma do BNA e dos próprios bancos.

O Banco Nacional de Angola (BNA), através do instrutivo nº 08/2022, de 01 de Agosto, sobre as novas regras de emissão de cartões, determina que a decisão da emissão de um cartão de crédito e a definição do limite do mesmo deve basear-se na avaliação do risco de crédito do cliente e quando risco não permite a atribuição de um cartão sem a constituição de um colateral para garantia do pagamento dos valores utilizados, deve o cliente ser informado dessa situação, bem como da alternativa de um cartão pré-pago, nos casos em que o banco oferece esse produto.

Estas orientações do banco central são colocadas de parte por muitos dos funcionários de vários bancos comerciais, que, além destas regras, “estatuíram” outra norma, a da “gasosa”, que compromete as propaladas conquistas do BNA de estabilidade cambial, mas que os quadros dos bancos negam haver e que por isso os leva a apertar na saída dos cartões.

Ao que o Expansão apurou, os técnicos dos bancos comerciais estão a cobrar para acelerarem a saída desses instrumentos de pagamentos. No BAI, por exemplo, e como revelou um cliente da instituição bancária, os técnicos estabeleceram um valor que varia entre 7 e 10 mil Kwanzas para acelerar o levantamento e respectiva activação do cartão pré-pago Kamba ou um de Crédito, num esquema que ganha “vida” noutros bancos. Este mesmo drama vive-se no BFA, banco que, por largos anos, disse não estar emitir novos cartões Visa a novos solicitantes, situação que justificou com a crise cambial e financeira por que passou Angola desde 2014, mas que o banco central diz estar ultrapassada.

Segundo outra fonte, no BPC a situação é pior que a de outros bancos. Além da cobrança dos cartões pelos técnicos das agências, há exigência de um colateral que, na visão do cliente, “absurdo”. “São cartões que a pessoa paga tudo o que tem para os ter em mão, m as depois quase que nunca usa, já que, quando estamos no estrangeiro, o cartão nunca esta disponível. Só mesmo em Luanda é que nos dizem que já pode usar o cartão”, desabafou o cliente do banco, que pede para não ser identificado.

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