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Em ‘3ª onda’, Amazonas vive novo colapso e pode ter mais 2 mil óbitos

Internação pela doença na capital do Amazonas avançou 1.060% só na primeira quinzena de janeiro de 2022;

Apesar dos alertas, o pode público do estado, bem como autoridades municipais, seguem ignorando as recomendações;

Pesquisadores preveem pelo menos 2 mil óbitos por conta das variantes Delta e Ômicron na capital.

Pouco mais de 1 ano após a crise de oxigênio, Manaus (AM) vive um flashback de um dos piores momentos da pandemia da Covid-19. Já com a terceira onda do vírus em curso, pesquisadores preveem pelo menos 2 mil óbitos por conta das variantes Delta e Ômicron na capital amazonense. O motivo: a população com ciclo vacinal completo na capital ainda está na casa dos 60%.

Apesar dos alertas, o poder público do estado, bem como autoridades municipais, seguem ignorando as recomendações enviadas por institutos de referência. As internações pela doença no estado avançaram 1.060% só na primeira quinzena de janeiro de 2022.

Segundo explica Jesem Orellana, epidemiologista da Fiocruz/Amazônia, há uma evidente explosão de casos novos da doença e, mais recentemente, de internações em leito clínico ou de casos graves. Para exemplificar, no dia 01 de janeiro, haviam apenas 21 internados por Covid-19 em Manaus. No entanto, dia 16 esse número sofreu explosão, alcançando 240 internados, em aproximadamente 15 dias, aumentando 10,6 vezes ou 1.060%.

“Esse padrão de crescimento exponencial, fatalmente, remete aos críticos momentos da segunda quinzena de 2022, com as mortes por asfixia semanas depois. Portanto, não seria exagero classificar a situação sanitária como de alto risco”, avalia Orellana. A Fiocruz informou que há 93% de leitos clínicos infantis e 89% dos leitos adultos ocupados. O crescimento foi de 267% nos primeiros quinze dias de janeiro.

Em estudo publicado na rede ResearchGate, o biólogo Lucas Ferrante, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, alerta para o congestionamento do setor de saúde, parecido como ocorrido em janeiro de 2021. “Podemos esperar de 1500 a 2 mil óbitos com as variantes Delta e Ômicron”, declarou.

Junto a profissionais do INPA, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade Federal de São João del-Rei, Ferrante também foi responsável por estudos publicados em periódicos reconhecidos internacionalmente a respeito da segunda onda de Covid-19 no Amazonas. O prognóstico estava correto, com apenas uma diferença: 500 óbitos a mais do que o estudo previa.

Segundo ele, vários alertas e recomendações foram enviados para a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). O informe dado em fevereiro de 2021 era claro: caso 70% da população fosse vacinada nos próximos 5 meses, a capital entraria em mais um novo período de transmissão. “A negligência do poder público fez com que uma nova variante surgisse, gerando ⅔ das mortes do país”, afirmou o biólogo.

Agente de saúde aplica vacina contra a Covid-19 em moradora de comunidade ribeirinha em Manaus, Amazonas.
(REUTERS / Bruno Kelly)

‘Precisamos vacinar toda a população – incluindo as crianças’
Ao avaliar a imunização contra a Covid-19 no estado, Ferrante alerta que a situação está desfavorável para a população: menos de 60% das pessoas tem o ciclo vacinal completo – e a avaliação é feita apenas quando se trata de adultos.

“Precisamos lembrar que as crianças também fazem parte da população, tendo capacidade de transmitir o vírus da mesma forma que adultos”, explica Ferrante. Para ele, o retorno das aulas presenciais em 2020 sem a imunização foi um dos maiores picos para a segunda onda. Na época, o alerta emitido pelo estudo informava que o retorno dos alunos para as escolas poderia desencadear índices de transmissão comunitária com aumento de 30% a 40%.

“Manaus precisa vacinar as crianças imediatamente. A demora na imunização gera apenas um ‘empurrão’ da onda para frente”. Hoje, de acordo com o medidor de campanha de vacinação, o Vacinômetro, aponta 65% da população adulta da capital com o esquema completo. No primeiro dia de atendimento para o público infantil, 232 crianças com comorbidades ou deficiência permanente (PcD) receberam a primeira dose do imunizante contra a Covid-19, na capital amazonense.

Orellana afirma que é um ‘passo a passo do descontrole epidêmico’. “Em dezembro, shows com 30 mil pessoas, pouquíssimo controle da dispersão da Ômicron no fim de ano e explosões na segunda semana de janeiro, resultado na explosão de números de internação – que configuram casos graves de infecção pelo vírus”.

O biólogo da INPA fala em velhas medidas para conter novos picos. “Devemos pensar em um novo lockdown na cidade, frear o retorno presencial das aulas, que deve ocorrer após a vacinação infantil e de forma escalonada”, recomenda.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, cerca de 50% dos internados em UTI e 53,8% dos que ocupam leitos clínicos não tomaram nenhuma dose de vacina. Ao menos 33% do total da população do Amazonas não tomou nenhuma dose da vacina contra a Covid-19. Ainda há outras 630 mil pessoas com segunda dose fora do prazo e 756 pessoas com a terceira dose fora do prazo no Amazonas.

Campanha em Manaus “Para que não se esqueça”.
(Foto: Alonso Junior)

Projeções marcaram 1 ano da crise de oxigênio em Manaus
O dia 14 de janeiro de 2021 ficou marcado como o momento de colapso da saúde no Amazonas em decorrência da pandemia de covid-19 e a falta de oxigênio nos hospitais. Na noite da última quinta-feira, 13, um grupo de ativistas fez projeções em pontos da cidade para recordar o grave período.

Com frases como “Para que não se esqueça” e “Janeiro de 2021 nos deixaram sem respirar”, a ação foi realizada em diferentes locais da Zona Norte e da Zona Sul da cidade. Além de homenagear as vítimas da tragédia, a ação buscou cobrar a responsabilidade de agentes do poder público que cometeram erros na condução da crise.

A CPI da Covid-19, realizada pelo Senado Federal, recomendou o indiciamento do Presidente da República Jair Bolsonaro e do Governador do estado do Amazonas Wilson Lima, para que sejam investigados por diversos como epidemia com resultado de morte e prevaricação.

“Existem muitas perguntas sem respostas: Por qual motivo o governo federal não encaminhou as cargas extras de oxigênio no dia em que foram informados do possível déficit ? Por qual motivo a FAB não encaminhou os cilindros arrecadados de forma imediata?”, lamenta Alessandrine Silva, ativista e bacharel em Direito.

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