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Sem ambulâncias, pacientes dependem de boleia para o hospital no Kuando Kubango

Falta de materiais e ambulâncias nos hospitais da província angolana de Cuando Cubango estão a causar muitas mortes. Oposição e sindicato dos médicos relatam que cidadãos chegam a ser levados em motorizadas e carroças.

As condições hospitalares na província angolana do Kuando Kubango estão deploráveis, com cidadãos a morrer diariamente nas portas dos hospitais por chegarem tarde devido à falta de ambulâncias. É o que denuncia o secretário municipal da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) no Cuchi, Diniz Ngongo.

Segundo o secretário, muitos doentes na comuna são atendidos por familiares devido à falta de recursos nos hospitais, por isso muitos correm sério risco de morte.

“Dependem [da sorte de] aparecer uma mota, carroça ou até mota de duas rodas. Levam [os doentes] deste jeito, ou nas mãos. Não há um carro que faça este trabalho. Há muitas mortes”, diz Ngongo.

Hospital Municial do Cuando Cubango (foto de arquivo).
(DR)

“Tudo está a ser feito”
O Governo garante que tudo está ser feito para evitar mais mortes.

Segundo o governador da província, Júlio Bessa, o seu Executivo está a fazer de tudo para proporcionar melhores condições de saúde à população.

Por exemplo, através de programas como o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), que, entre outros aspetos, tem como objetivo materializar investimentos para as ações de carácter social.

“Já imaginaram uma gestante saindo de Caiudo para ter o parto em Menongue? É impossível”, argumentou. “Primamos por criar ‘equipamentos sociais’ que sirvam de facto às populações”.

Apesar dos argumentos do Governo, o presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola, Adriano Manuel, critica o descaso das autoridades do país, lamentando a situação.

Adriano Manuel está afastado do Hospital Pediátrico de Luanda, desde o dia 3 de Agosto, acusado de violar ‘sigilo profissional’.
(DR)

Médicos agredidos
Segundo o sindicalista, profissionais da saúde chegam a ser agredidos por familiares de doentes, sem que as autoridades tomem uma atitude para protegê-los.

O presidente do sindicato dos médicos também questiona o fato de o Governo angolano dizer que não tem verbas, mas aprovar orçamentos para comprar casas para magistrados em valores altíssimos. E, isso, “quando não há medicamentos nos hospitais”, desabafa.

“É triste ver familiares trazerem parentes – quase cadáveres -nos braços […]”, disse.

Adriano Manuel apontou ainda que o programa “Nascer Livre para Brilhar”, lançado em 2018, pela primeira-dama angolana, Ana Dias Lourenço, teve um orçamento maior do que o programa nacional de combate à malária, o programa de tuberculose, e próprio programa de combate ao HIV/Sida em Angola.

O programa “Nascer Livre para Brilhar”, segundo o Governo, teve por objetivo principal a redução da transmissão do HIV/Sida da mãe para o filho – com meta de redução estabelecida para a primeira fase do programa, de 26% (2019) para 14% até 2021.

Para revindicar melhores condições de trabalho e de atendimento aos pacientes, os médicos vão decretar uma greve por um tempo indeterminado a partir do dia 6 de dezembro.

FonteDW

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