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Governo distingue Filipe Mukenga com Prémio Nacional de Cultura e Artes

Após vários anos a reclamar por um reconhecimento da parte do Estado, o músico angolano Filipe Mukenga acaba de ser distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, edição 2021, na categoria de música.

A distinção ao autor de “humbi-humbi”, “Ndilokewa” e “Eu vi Luanda” acontece um mês depois de o músico, considerado o “Rei do Jazz” angolano, ter reclamado por um galardão da parte do Governo e pedido, publicamente, apoio financeiro para o lançamento do seu novo trabalho discográfico.

«O Estado, não sei por que razão, ainda não se decidiu a galardoar-me», foram as palavras proferidas pelo artista de 72 anos de idade e mais de 50 de carreira, recentemente, em entrevista exclusiva ao Novo Jornal.

“Trinalidades é um disco que provavelmente será o meu último trabalho. Mas, infelizmente, penso que não vai ser lançado”. Foi com estas palavras e um semblante triste que o consagrado músico respondeu ao NJ quando questionado se já havia encontrado apoio financeiro para lançar o álbum inédito que reúne 36 músicas criadas em “tempo recorde”, durante o primeiro ano de confinamento provocado pela Covid-19.

Em Junho deste ano, o artista havia revelado, em entrevista ao Expansão, que, para a produção e lançamento do referido projecto discográfico, necessita de 150 mil euros, cerca de 100 milhões de kwanzas. A obra envolve três álbuns com canções diferentes feitas a partir de poemas de Filipe Zau, Eugénio Lisboa, Manuela Baptista, Amélia da Lomba, Vanessa Pereira, Álvaro Macieira e Raul David. A ser concretizado, Trinalidades, segundo o também chamado “Mestre Kianda”, será, provavelmente, o seu último trabalho discográfico, por isso volta a solicitar apoio para a edição.

“Todos os meus discos foram suportados pelas editoras às quais eu estava ligado contratualmente. Voltei à minha terra e não há editoras. O que funciona são os patrocínios, mas, devido aos actuais problemas económicos e financeiros, não há”, chegou a sublinhar o “filho de Cabinda”.

Filipe Mukenga, cantor e compositor de 72 anos, é natural de Luanda, onde nasceu em Setembro de 1949. Começou a tocar em 1964 por influência dos Beatles. Colaborou com grupos como Os Brucutus, os Indómitos, The Five Kings, The Black Stars, Os Rocks, os Electrónicos, os Jovens e Apollo XI. Gravou o seu primeiro álbum, “Novo Som”, em 1990 para a editora EMI-Valentim de Carvalho. Colabora ainda num dos temas do disco “Mingos & Os Samurais” de Rui Veloso. Em 31 de Maio de 1991 actua, conjuntamente com Os Tubarões, no Coliseu dos Recreios. “Kianda Kianda”, O seu segundo álbum gravado em Paris para a editora Lusáfrica, foi lançado em 1994. Em 1996 é gravado o lítero-musical intitulado “O Canto da Sereia: o Encanto” em que é co-autor com Filipe Zau, actual ministro da Cultura, Turismo e Ambiente (MCTA). Outros cantores presentes no disco são Carlos Burity, Katila Mingas, Paulo Flores, Dino, Eduardo Paim e Fernando Tordo. Colabora também no disco “Luanda Lua e Mulher” de Filipe Zau. O tema “Eu vi Luanda” é incluído na banda sonora do projecto “O mar: a música dos povos de língua portuguesa” dos brasileiros Oboré. É um dos nomes escolhidos para a compilação “África em Lisboa” lançada pela EMI no ano de 1998.

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