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Burkina Faso: Um dos principais arguidos declara “total inocência”

O general Gilbert Diendéré, um dos principais arguidos no julgamento do assassinato do ex-Presidente do Burkina Faso, Thomas Sankara, há 34 anos, voltou, quarta-feira (17), a declarar perante um tribunal militar em Ouagadougou ser inocente dos crimes de que é acusado.

O militar, que era um dos principais líderes do Exército durante o golpe de 1987, é acusado de “ataque à segurança do Estado”, “cumplicidade no assassinato”, “ocultação de cadáveres” e “aliciamento e constrangimento de testemunhas”.

“Declaro-me mais uma vez inocente em relação a todas as quatro acusações”, afirmou o general, que se apresentou no tribunal vestido com uniforme militar.

Diendéré explicou o que fez durante o dia 15 de Outubro de 1987, a data do golpe em que Thomas Sankara e 12 dos seus companheiros foram mortos. O general disse que se deslocou na parte da tarde ao “campo desportivo” do quartel-general do comando militar do Conselho Nacional da Revolução, onde se encontrava quando “ouviu tiros”.

Diendéré afirmou que falou com dois soldados que conhecia e que lhe terão dito que tinham ido ali “para impedir” que Thomas Sankara prendesse o seu “chefe”, Blaise Compaoré, que viria a tomar o poder na sequência do golpe.

Compaoré, que a altura dos factos era o “braço-direito” de Sankara, é acusado dos mesmos crimes que Diendéré e é suspeito de ser o cérebro do assassinato – o que sempre negou, e o general ontem confirmou: “Perguntei se Blaise estava ciente do que tinham feito e ele respondeu de forma negativa”, explicou em tribunal.

Segundo Diendéré, Blaise Compaoré só chegou ao local do massacre no final da tarde, três horas após o crime.

Compaoré, hoje com 70 anos, vive na Côte d’Ivoire, onde está exilado desde que foi derrubado, em 2014, e goza de nacionalidade ivoiriense, que o protege da extradição e de um mandado de captura internacional emitido pelo Burkina Faso há seis anos.

Os advogados de Compaoré justificaram a ausência do antigo Presidente, denunciando o que consideraram “um julgamento político” executado por “um tribunal de excepção”.

Gilbert Diendéré, chefe da segurança pessoal de Compaoré, encontra-se já a cumprir uma pena de prisão de 20 anos por tentativa fracassada de golpe de Estado em 2015. A rede internacional “Justiça para Thomas Sankara, justiça para África” sublinhou na abertura do julgamento, em meados de Outubro, o risco de não ser abordado o papel desempenhado por França, Estados Unidos da América e países da África Ocidental, como a Côte d’Ivoire, de Félix Houphouët-Boigny, e o Togo, de Gnassingbé Eyadema.

Durante uma viagem a Ouagadougou em Novembro de 2017, o Presidente francês, Emmanuel Macron, prestou homenagem à memória de Thomas Sankara e anunciou o levantamento do segredo de defesa sobre documentos relacionados com o seu assassínio, há vários anos solicitados pelo Burkina Faso.

Manifestantes exigem demissão do Presidente
Várias cidades do Burkina Faso, com destaque para Ouagadougou, têm sido cenário da realização de manifestações espontâneas contra a insegurança que reina no país.

Segundo a AFP, os manifestantes reclamam também a demissão do Presidente Roch Marc Christian Kaboré, que acusam de não poder travar a degradação da situação, no país.

As marchas surgiram um dia depois da declaração de um luto nacional de 72 horas em prol das 32 pessoas mortas domingo, entre as quais 28 soldados, durante um ataque rebelde perpetrado em Inata, província de Soum, região do Sahel.

Orientados pelo Movimento “Salvemos o Burkina”, os manifestantes, na maioria jovens, exigiram ao Presidente burkinabe, a protecção efectiva do país, acusando-o de ser o autor de várias iniciativas fracassadas que mergulharam o Burkina Faso numa onda de insegurança, e não armar de forma conveniente o Exército nacional.

Desde 2015, o Burkina Faso enfrenta uma guerra civil protagonizada por jihadistas de várias tendências que já causaram milhares de vítimas mortais e 1,4 milhão de deslocados internados, referem dados governamentais.

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