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Jornalistas dizem que foram impedidos de cobrir visita de João Lourenço

Profissionais de imprensa dizem que assessores do Governo não concederam credenciamento para acompanhar o Presidente no Uíge. Funcionária da SACII nega as alegações dos jornalistas e diz que a informação é “falsa”.

Jornalistas do Uíge alegam que foram impedidos de cobrir a visita do Presidente da República de Angola, João Lourenço, à província na terça-feira e na quarta-feira (27.10). Para os profissionais de imprensa, não ficaram claros os motivos para não terem recebido a acreditação da Direcção Provincial para acompanhar a agenda do chefe de Estado.

Moniz Pedro, correspondente da Voz da América, entende que o impedimento se deveu a orientações da Secretaria para Assuntos de Comunicação Institucional e de Imprensa da Presidência da República e do Gabinete de Comunicação Social no Uíge.

“A Direcção Provincial não nos credenciou porque alega que a situação tem a ver com a central e ficamos a solicitar para ver se poderíamos entrar, mas foi impossível”, lamenta.

Profissionais da Rádio Eclésia, Rádio Despertar, Palanca TV, Voz da América e Portal Wizi Kongo também não puderam acompanhar a agenda do Presidente.

Bernardo Caley, da Eclésia, lembra que não é a primeira vez que isto acontece na província. O jornalista supõe que isso possa ocorrer “por medo da parte deles [governos central e provincial], porque há muitas verdades que aqui são colocadas”.

Jornalistas temem que liberdade deteriore-se durante campanha eleitoral.
(© Getty Images/AFP/A. Rogerio)

O que diz o sindicato
Em Setembro, jornalistas também não conseguiram credenciar-se para uma deslocação de João Lourenço ao Bié. O mesmo aconteceu com o correspondente da DW no Cuanza Norte, António Domingos, que receia que a situação se agrave com o aproximar das eleições.

O cerceamento à liberdade na cobertura de factos de interesse público gera estranheza e não é considerado normal num Estado de direito democrático, por isso o Sindicato dos Jornalistas mostra-se preocupado. Em Agosto, num evento de classe, o sindicato e o MISA-Angola consideraram que o ambiente para o exercício do jornalismo em Angola “inibe a liberdade de imprensa”.

O secretário-geral da entidade de classe, Teixeira Cândido, diz que se isto for verdade, é particularmente preocupante. “Estou a tentar ligar para Mário Jorge e Luís Fernando, que são secretários do Presidente da República, para podermos ter uma ideia mais concreta sobre o que se passou efectivamente e reagirmos”, diz Cândido.

“Fake news”
A Presidência da República nega que tenha proibido o credenciamento dos repórteres. Contatada pela DW África, a Secretaria para Assuntos de Comunicação Institucional e de Imprensa (SACII) refutou às alegações por via de uma funcionária.

“Todos os órgãos que solicitam os credenciamentos em qualquer província ou em qualquer lugar que o Presidente esteja, nós credenciámos. É falsa, essa informação”, disse.

A funcionária da secretaria pediu que fosse mesmo verificado se os jornalistas realmente solicitaram o credenciamento. “Aí, sim, [você] poderá falar até com o secretário”, disse em resposta ao pedido de entrevista da DW ao titular da SACII.

Bruno Kixia, chefe de Departamento do Gabinete de Comunicação Social no Uíge, confirma que houve o pedido de autorização por parte dos jornalistas, mas que teria ocorrido “na última hora”. “Eles trouxeram a lista na última da hora. Já não tinha como, é falta de organização [dos jornalistas]. Nessa actividade, é preciso alguém estar organizado”, argumenta.

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