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SIC apresenta supostos homicidas

“Já eram 20 horas. Não queria jantar, porque o meu filho nunca chegava aquela hora, em casa. O Jacinto só tinha 12 anos. Dormi sem comer. No dia seguinte ouvimos que havia um corpo estendido na rua de trás, junto às casas cor-de-rosa. Não tive coragem de ir ver. Mas a minha família foi lá confirmar”, conta aos soluços o pai, Júlio Simão, que não parava de chorar.

“Era o Jacinto. E até hoje, algumas peças de roupa e as chinelas dele ainda se encontram no local do crime”, confirmou, enxugando as lágrimas que caíam sem cessar.

No dia 16 de Setembro, o corpo do menino Jacinto Simão, de 12 anos, foi encontrado estatelado numa rua do sector 11 do bairro Panguila, município do Dande, província do Bengo.

O pai da vítima acredita que o filho terá oferecido alguma resistência, quando foi abordado pelos meliantes. Conta que o mesmo foi à rua, com uma coluna bluetooth e o telemóvel, quando saiu da casa da avó, que vive próximo do local onde ocorreu o crime. “A minha família encontrou-o morto, com sinais de espancamento e um pau espetado na boca. Mas o Jacinto só tinha 12 anos. Quem fez isso deve pagar caro”, gritou.

No âmbito da “Operação 45 Graus”, promovida pela Polícia Nacional, em todo o país, para combater e prevenir a criminalidade, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) no Bengo, apresentou, terça-feira, 16 cidadãos, acusados da prática de crimes diversos, detidos entre os dias 7 e 15 de Outubro, nos sectores 1, 2, 4 e 11 do Panguila, município do Dande.

Segundo o porta-voz do SIC no Bengo, Peterson Cassule, dentre os supostos meliantes apresentados aos órgãos de Comunicação Social, encontra-se um dos assassinos do menino Jacinto Simão, de 12 anos.

O agente de investigação criminal explicou que nos bairros Ludi 1 e Burgalheira, os efectivos do SIC, em colaboração com a Polícia da Ordem Pública, detiveram um grupo de cinco criminosos, implicados no duplo homicídio de um cidadão estrangeiro e outro angolano, às 23 horas do dia 23 de Maio.

Os dois foram encontrados mortos, no interior de um estabelecimento comercial, onde os marginais invadiram e apropriaram-se de vários bens e alguns valores monetários.

Como resultado das detenções, o SIC Bengo recuperou e apreendeu vários meios e equipamentos, como três motorizadas de duas rodas, duas botijas de gás, um aparelho de ar-condicionado, um jogo de sofá, um televisor plasma, uma aparelhagem sonora e oito armas de fogo, sendo cinco AKM, duas pistolas e uma caçadeira.

Abuso sexual de menor

Um jovem de 23 anos, Jorge Domingos (nome fictício), é acusado da prática do crime de violação sexual e cárcere privado a uma menor de 13. O suposto “predador” é pedreiro de profissão, e confessa que namora com a adolescente há cerca de um ano e seis meses. “Mas já não a encontrei virgem. Podem perguntar para ela”, afirma, visivelmente assustado com a situação.

Sobre a acusação de manter a menina sob cárcere privado, drogando-a com estupefaciente liamba, Domingos defendeu-se: “eu nunca lhe raptei. Ela decidiu ficar lá, por vontade própria. É minha namorada e estava à vontade. Ninguém lhe obrigou a ficar na minha casa. Por isso é tudo mentira que lhe dei liamba. Estão a inventar muita coisa à toa”.

À imprensa, o pai da menor que foi vítima de abusos sexuais, afirmou que o acusado raptou e violou a sua filha. “A minha filha não anda à toa. Está quase sempre em casa. Tenho medo que tenha contraído alguma doença de transmissão sexual. Conheço o jovem, vejo-o sempre aqui no bairro. Mas nunca frequentou a minha casa”, confirmou Fernando Santos (nome fictício).

No momento em que concedia a entrevista, o pai da vítima, às vezes dizia “coisa com coisa”. Ora afirmava que a filha estava a ser examinada no hospital, ora que a menina se encontrava em casa a descansar.

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