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Há 1,3 milhões de pessoas que sofrem de insegurança alimentar aguda em três províncias do sul Angola

A seca, a mais severa dos últimos 40 anos, o aumento do preço dos alimentos, a praga de gafanhotos, fazem com que haja milhões de pessoas dependentes de ajuda humanitária urgente e, entre eles, estão cerca de 114 mil crianças com menos de cinco anos em risco de sofrerem de desnutrição aguda nos próximos meses

Em 17 municípios do sul de Angola, há cerca de 1,32 milhões de pessoas, que experimentam níveis elevados de insegurança alimentar, concluiu um estudo, que contra com a participação da União Europeia, através do FRESAN (Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional em Angola), efectuado no terreno entre os meses de Julho e Setembro de 2021.

As projecções apontam para que este número venha a aumentar para 1,58 milhões entre Outubro de 2021 e Março de 2022.

No âmbito das acções de Departamento Nacional de Segurança Alimentar, da Direcção Nacional de Agricultura e Pecuária do Ministério da Agricultura e Pescas com o apoio do projecto FRESAN, financiando pela União Europeia, realizou-se uma Avaliação da Vulnerabilidade, Segurança Alimentar e Nutricional – Medição e Análise do Índice de Resiliência (AVSAN/RIMA II) nas províncias do Cunene, Huíla e Namibe, em meados deste ano.

Numa visão geral, concluiu-se que a pior seca dos últimos 40 anos e o aumento do preço dos alimentos desencadearam níveis de elevada insegurança alimentar nas províncias do Sudoeste de Angola.

As más colheitas afectaram gravemente o acesso da população a alimentos numa região extremamente dependente da agricultura, e que também foi afectada, no decorrer deste ano, além da crónica escassez de chuvas, por uma praga de gafanhotos.

Entre Outubro deste ano e Março do próximo ano, espera-se que o número dos que estão no nível mais agudo de insegurança alimentar aumente, passe de 1,32 milhões para 1,58 milhões de pessoas. Os três municípios que apresentam cenários mais preocupantes são Chicomba, Moçâmedes e Tômbua.

No entanto, a prevalência de níveis elevados de insegurança alimentar estende-se a toda a região. Os municípios da Cahama, Curoca e Ombadja (Cunene), Gambos (Huíla) e Virei e Camuculo (Namibe) têm mais de metade da sua população em insegurança alimentar aguda (IPC).

Há um conjunto de factores que acentuam a catástrofe natural, a seca, e eles são – além da redução produção agrícola e pecuária, o aumento do preços dos alimentos e a praga de gafanhotos – a doença e o roubo dos animais existentes.

Deste contexto de quase catástrofe humanitária emergem cerca de 114 mil crianças com menos de cinco anos em risco de desnutrição aguda nos próximos meses, o que lhes deixará sequelas para o resto da vida.

O estudo identificou que quase todas as crianças com idades entre os seis e os 23 meses não tem, pelo menos, três refeições por dia, e em situações de maior vulnerabilidade são penalizadas por inúmeras infecções como diarreia, febre ou tosse, tudo isto acompanhado de uma baixa procura dos serviços de saúde.

As autoridades, e uma vez caracterizada a situação como muito grave, de uma gravidade alarmante, propõem a assistência alimentar reforçada às famílias, a expansão do programa Kwenda, a intensificar dos programas de tratamento da desnutrição aguda nas crianças com menos de cinco anos, grávidas e lactantes e continuar a intervenções que visem proteger e/ou repor os bens e meios de sustento dos agregados familiares, como, por exemplo, a abertura de furos de água e a disponibilização de sementes para a próxima época agrícola.

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