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Dicla Burity exalta amor e lealdade por Tânia Burity

“Não vivo sem ela, simplesmente não há Dicla sem Tânia”

Unidas por um laço de sangue, mesmo nome, sonhos e profissões, é notório a boa ligação que existe entre as irmãs Burity. Em entrevista de perfil, cedida ao PLATINALINE, a actriz e apresentadora Dicla Burity falou com a maior satisfação sobre o amor que sente pela irmã mais velha, Tânia Burity.

“Temos uma infância comum, sonhos e profissões, mas também, mais do que isso, as nossas almas estão tão ligadas que choramos por não estar perto uma da outra. Não precisamos falar para nos entender, apesar de termos crescido entre discussões e abraços como todas as boas irmãs (risos)”, disse.

A actriz frisou que ao longo do tempo, o entendimento entre ambas tem sido cada vez mais evidente, tanto que parecem uma com a outra: “Quando estamos juntas parece que o tempo pára para sermos crianças outra vez, é inexplicável isto. Ela é o Sol e eu sou a Lua, a terra precisa de nós as duas, juntas, para sempre. Amo-te, mana”, declarou.

Importa lembrar que as irmãs Dicla e Tânia Burity são oriundas de uma família de artistas e carregam as artes nas veias desde pequenas.

PL: Para quem não conhece, quem é a Dicla Burity?

Dicla: A Dicla é um ser humano repleto de vontade de evolução, que veio à terra para inspirar ao crescimento e ao sucesso.

A nível profissional, sou artista e comunicadora de Angola para o mundo e exploro-me em várias facetas destes dois mundos que, para mim, são um só.

PL: Onde cresceu?

Dicla: Nasci e cresci no prédio número dois do Alvalade, em Luanda.

PL: Consegue lembrar-se de como foi a sua infância?

Dicla: Perfeitamente, não foi há tanto tempo assim, (risos). Tive uma infância rica, super colorida, cheia de sonhos e brincadeiras.

Eu e a minha irmã Tânia já éramos inventivas e super criativas, foi na infância que descobrimos a nossa veia representativa nas muitas brincadeiras de imitar personagens. Do zero aos baralhos de cartas, experimentamos jogos e aventuras inesquecíveis. Eu era uma maria rapaz que adorava arriscar, andava de skate, tinha muitos amigos rapazes e ajudava a minha mãe na cozinha.

Guardo as doces memórias das músicas que a minha mãe nos cantava; de ir ao trabalho do meu pai só para almoçar com ele no refeitório e de tentar trepar a árvore do quintal limpinho da minha querida avó.

PL: Ainda mantém o laço de amizade com os seus amigos de infância?

Dicla: Sim, tenho amigos desta época, não falamos muito, mas, quando estamos juntos é uma festa, sentimo-nos conectados por vivermos as mesmas histórias.

Os meus colegas do colégio ainda são meus amigos e marcamos estar juntos de tempos em tempos para “desmaiar” as saudades.

PL: Sempre foi uma menina estudiosa?

Dicla: Muito estudiosa e muito curiosa. Era uma engenhocas, em casa, queria entender o porquê de tudo, de um computador a um fusível, os meus pais chegaram a pensar que teriam uma engenheira em casa, antes de ter escolhido a arte e a comunicação.

Na escola sempre tirei muito boas notas, não era a menina clássica que estuda em casa por dias seguidos nem a que adorava ler, mas era surpreendentemente a que melhores notas tinha porque adorava participar das aulas, ir ao quadro, questionar…ainda tenho os cadernos desta altura comigo como lembrança.

PL: Foi uma adolescente regrada, obediente, ou foi mal influenciada pelas amizades?

Dicla: Obediente e ao mesmo tempo traquinas, dá para imaginar! Ui… Eu adorava aventuras, queria explorar o mundo. Os meus pais sempre foram muito conservadores e rígidos em relação à socialização, então eu era a que instigava a fugirmos das regras, a minha mãe diz que dei muito trabalho, mas acho que no geral era só divertida e social (risos).

PL: Ainda no seu anonimato, qual foi a situação mais difícil que viveu?

Dicla: Perder a minha avó. Tinha 16 anos e não sabia na época o que era isso. Foi a primeira vez que percebi que a vida era finita e que nem tudo era bonito como os nossos pais pintavam, tive síndrome do pânico por alguns anos por conta deste choque de realidade e tive que ser acompanhada por psicólogos.

Mas, felizmente curei-me completamente e hoje prefiro guardar as boas memórias da avó Andreza que ainda sinto o cheiro.

PL: Quando é que começou a dar os primeiros passos nas artes (cinema / TV)?

Dicla: Tinha 18 anitos quando me atrevi a testar para actuar em televisão, desisti do propedêutico de engenharia informática para me aventurar a realizar os meus sonhos artísticos e lá fui com a cara e a coragem.

Conquistei o meu primeiro papel principal na série vidas ocultas e a seguir fui escolhida para protagonizar a primeira telenovela angola “Reviravolta” com a personagem que mais marcou a minha vida, a eterna “Celina Pereira Carvalho”. Tudo porque o actor e realizador Tómas Ferreira viu potencial em mim.

Mais tarde, comecei a dividir-me entre a ficção e a comunicação, apresentando vários programas de rádio e tv, em formatos de sucesso nacional e internacional como o “Jovemania”, o “Domingo a Mwangole”, o “Big Brother Angola” e mais recentemente “A tua cara não me é estranha” entre muitos outros programas.

Tive o apoio de grandes nomes da Comunicação nesta jornada, como: Carlos Cunha, Amílcar Xavier, Elias André, Eduardo Magalhães, Casimiro Alfredo, Carlos José.

Cheguei a formar-me em Comunicação Social pela UPRA, em Luanda.

PL: Quem lhe incentivou a entrar nas artes?

Dicla: Ninguém em específico. Nasci com o sonho e o chamado das artes e da comunicação, venho de uma família de artistas, políticos e comunicadores natos, tenho a certeza que isto serviu de inspiração também.

PL: Foi difícil se firmar nas artes?

Dicla: Bem, que é bom é, também trabalhoso, para comer as gambas há que as descascar. Mas, quando se está a cumprir o nosso propósito e a usar os nossos talentos sentimo-nos tão empenhados que quase não nos cansamos, já diz o velho ditado.

Para mim foi uma trajectória, aliás, ainda é uma linda trajectória onde o reconhecimento e a fama são mera consequência.

PL: Quais são as maiores dificuldades que teve de enfrentar para ser reconhecida como uma verdadeira profissional em Angola?

Dicla: Não sei se sinto isso. Estou muito habituada a olhar para o lado positivo deste caminho. Sei que existem entraves, só não penso tanto neles para não me desfocar ou frustrar.

Então, apenas aproveito as oportunidades do que semeio, dou o meu melhor e vou conquistando o mundo. Penso que sou o meu maior desafio. Por isso quero vencer-me a cada dia.

PL: Na altura, sempre recebeu o apoio da família?

Dicla: A excepção dos meus pais, que sonhavam que fosse ser médica ou engenheira, a quem decepcionei inicialmente, sim, tive.

Entretanto, mesmo não seguindo o que sonhavam para mim, hoje em dia posso dizer que sim, os meus pais apoiaram-me muito até aqui e estiveram presentes em todos os momentos da minha carreira, sem eles não seria possível. Sou eternamente grata.

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