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Pandora Papers: as offshores secretas de mais de 300 políticos mundiais

Mais um imbróglio global de offshores secretas foi revelado no passado domingo, dia 3 de Outubro de 2021. Trata-se dos Pandora Papers, a mais recente investigação jornalística que expõe negócios e património escondido por mais de 330 políticos de 90 países e territórios, entre os quais estão 35 líderes nacionais. E há três políticos portugueses envolvidos.

Depois de levar a cabo o Luanda Leaks e os Panama Papers, o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês) revelou este domingo os resultados de numa nova investigação realizada a 11,9 milhões de ficheiros provenientes de 14 escritórios de advocacia especializados em registar companhias offshore em paraísos fiscais pelos quatro cantos do mundo, segundo escreve o jornal Expresso que participou na investigação.

Aquela que já é mesmo considerada pelo ICIJ a “maior fuga de informação sobre paraísos fiscais da História” envolveu mais de 600 jornalistas de 117 países e territórios e revelou como os líderes internacionais mantêm património e capital longe da vista das autoridades fiscais e policiais, enquanto deveriam de, eles próprios, combater a evasão fiscal. E as consequências para esta prática são muitas: embora as offshores sejam legais, as condições de segredo abrem caminho para o fluxo ilícitos de capital que pode servir para pagar subornos, financiar terrorismo e tráfico de seres humanos, segundo revelam os especialistas.

Rei Abdullah II da Jordânia.
(© Flickr / Creative commons)

Entre as personalidades internacionais envolvidas estão:

Rei Abdullah II da Jordânia, dono de três propriedades em Malibu, na Califórnia, avaliadas em 59 milhões de euros;

Andrej Babis, primeiro-ministro da República Checa, que comprou um castelo de 19 milhões através de uma offshore;

Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico, e a sua esposa que adquiriu um imóvel avaliado em 7,6 milhões a uma offshore;

Vladimir Putin, o presidente da Rússia, por usar offshores nas Ilhas Virgens Britânicas para ocultar ativos valiosos como é o caso de um apartamento no Mónaco avaliado em 4 milhões de dólares;

Imran Khan, primeiro-ministro do Paquistão, por ter escondido milhões de dólares em empresas e entidades externas;

Uhuru Kenyatta, presidente do Quénia, é denunciado por possuir secretamente pelo menos 11 empresas no estrangeiro, uma das quais avaliada em 30 milhões de dólares.

Há ainda vários artistas mundialmente conhecidos envolvidos, como a cantora Shakira, a antiga modelo Claudia Schiffer e o cantor espanhol Julio Iglesias.

Vladimir Putin, o presidente da Rússia.
(© Wikimedia commons)

Quem são os 3 portugueses envolvidos?
Entre os mais de 300 políticos envolvidos nesta investigação, há três portugueses que estão nesta encruzilhada por razões bem diferentes, segundo escreve o mesmo jornal.

Nuno Morais Sarmento, advogado e atual vice-presidente do PSD.
(© Wikimedia commons)

Nuno Morais Sarmento
Um deles é Nuno Morais Sarmento, advogado e atual vice-presidente do PSD – e também antigo ministro nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes – que usou uma offshore registada nas Ilhas Virgens Britânicas para comprar uma escola de mergulho e um hotel em Moçambique.

Vitalino Canas, advogado que foi deputado socialista entre 2002 e 2019.
(© Wikimedia commons)

Vitalino Canas
Outro nome português é Vitalino Canas, um advogado que foi deputado socialista entre 2002 e 2019. Além disso foi ainda secretário de Estado nos governos de António Guterres e porta-voz do PS durante o governo de Sócrates. De acordo com o mesmo jornal, o seu nome está envolvido por lhe ter sido passada uma procuração para atuar em nome de uma companhia registada nas Ilhas Virgens Britânicas.

Manuel Pinho, ex-ministro da Economia entre 2005 e 2009.
(© Wikimedia commons)

Manuel Pinho
A terceira personalidade portuguesa é Manuel Pinho, ex-ministro da Economia entre 2005 e 2009, ex-administrador do BES e atualmente professor na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. Segundo a investigação, o atual professor beneficiou de três companhias offshore que já são do conhecimento público, por estarem envolvidas num inquérito-crime ainda em curso sobre a EDP.

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